Custo faz crescer importação de manufaturados

A desvalorização cambial de 16,9% registrada em 2018 não foi suficiente para frear as importações

O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2019 | 04h00

A indústria brasileira não apenas vem encolhendo como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), como enfrenta dificuldades crescentes para exportar e depende cada vez mais de importações. Foi o que ocorreu no ano passado, segundo a publicação Coeficientes de Abertura Comercial, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A importação de plataformas de petróleo provocou distorção dos dados, mas outros itens de importação também mostraram avanços constantes.

A CNI calcula um conjunto de coeficientes para medir os graus de abertura do setor industrial. Um dos principais é o coeficiente de penetração das importações, que mede a participação dos produtos importados no consumo aparente (soma do valor da produção doméstica destinada ao mercado interno mais as importações). No último triênio, esse coeficiente saiu de 16,5% em 2016 para 17,1% em 2017 e atingiu 18,4% em 2018.

A desvalorização cambial de 16,9% registrada em 2018, que encareceu o preço dos produtos importados em relação aos produtos nacionais, não foi suficiente para frear as importações. Isso se deve, segundo a CNI, à “defasagem usual de resposta da quantidade importada à taxa de câmbio”. Além disso, pode haver dificuldade de substituir fornecedores externos por domésticos.

As vendas externas de manufaturados, medidas pelo coeficiente de exportação, também deixam a desejar. A preços constantes, elas cresceram apenas 4,9% entre 2015 e 2016, 4% entre 2016 e 2017 e 3,3% entre 2017 e 2018. É evidente a perda de competitividade da indústria brasileira, assolada por custos tributários elevados, baixa produtividade e dependência de infraestrutura precária, o que impacta os custos de logística.

O governo promete reduzir, em 40 dias, as tarifas de importação de bens de capital e de informática, disse o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz. Isso favorecerá os investimentos e a eficiência dos produtores, mas deverá afetar a indústria local dessas áreas.

O aumento do coeficiente de penetração das importações mostra “que a competitividade da indústria brasileira ainda é baixa diante dos principais parceiros comerciais”, diz o gerente de Pesquisas e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca. Sem uma política abrangente do governo, o problema tende a persistir.

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