Dados regionais mostram lentidão do ritmo industrial

Em apenas cinco Estados se pode falar em crescimento expressivo da indústria

O Estado de S.Paulo, Impresso

10 Fevereiro 2019 | 06h41

Em apenas cinco Estados – Amazonas, Pará, Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – se pode falar em crescimento expressivo da indústria em 2018, segundo a Pesquisa Industrial Mensal Regional (PIM Regional), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Resultados fracos de São Paulo e de Minas Gerais e pouco relevantes do Rio de Janeiro limitaram muito o comportamento da indústria em 2018, que, em média, cresceu apenas 1,1% em relação a 2017.

A evolução da indústria em períodos de 12 meses reflete o baixo ritmo da atividade do setor: a diminuição do crescimento foi constante no segundo semestre, passando de 3,3% em julho para 3,1% em agosto, 2,7% em setembro, 2,3% em outubro e 1,8% em novembro.

Entre 2017 e 2018, 11 dos 15 locais pesquisados ainda mostraram taxas positivas, mas houve queda do dinamismo entre novembro e dezembro do ano passado, com evolução média nacional de apenas 0,2%. Os locais que registraram maior perda de vigor industrial foram Amazonas, Pernambuco, São Paulo, Mato Grosso, Rio, Santa Catarina e a Região Nordeste.

Os números mais fracos são observados na comparação entre os meses de dezembro de 2017 e de 2018, período em que a queda média foi de 3,6%, influenciada pelo recuo de 5,2% da indústria paulista.

Os números de 2018 refletem um período de retomada lenta da economia, afetada pela greve dos caminhoneiros e pelas incertezas eleitorais. Levantamentos das últimas semanas sugeriram uma reversão, para melhor, das expectativas para 2019. Mas é cedo para previsões consistentes, pois surgiram pressões negativas não desprezíveis, como o impacto do desastre de Brumadinho sobre a indústria extrativa.

Além disso, salvo exceções, as exportações de bens manufaturados vêm sendo insatisfatórias e, para que se recuperem, dependem de fatores de difícil mensuração, como a demanda dos principais importadores de produtos brasileiros. Por exemplo, não se sabe se haverá, a partir do segundo trimestre, como alguns preveem, alguma recuperação econômica na Argentina, grande consumidora de veículos produzidos no País.

Uma retomada sustentável da indústria local parece depender primordialmente de São Paulo, cuja produção responde por cerca de um terço da produção manufatureira do País.

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