Déficit corrente cresce, mas não causa apreensão

Os indicadores do risco Brasil no mercado global melhoraram muito nas últimas semanas

O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2019 | 05h00

As contas correntes do balanço de pagamentos apresentaram déficits de US$ 2,9 bilhões em junho, de US$ 10,6 bilhões no primeiro semestre e de US$ 17,1 bilhões nos últimos 12 meses, revelando piora em relação a maio. São também números piores do que os esperados pelas consultorias econômicas, mas não o bastante para causar preocupações. Os indicadores do risco Brasil no mercado global melhoraram muito nas últimas semanas e os desequilíbrios vêm sendo financiados pelo ingresso de investimentos diretos no País (IDP).

O que se deve notar é que a melhora do risco Brasil medido pelo Credit Default Swaps (CDS), um instrumento de proteção contra o risco de calote, surge num momento em que o superávit da balança comercial (diferença entre os montantes de exportações e de importações) é declinante, dada a perda de ímpeto do comércio internacional. 

Ao divulgar as Estatísticas do setor externo, o Banco Central deu destaque ao recuo de 10,8% das exportações entre junho de 2018 e junho de 2019 como uma das explicações para a piora do saldo em contas correntes. A queda dos preços da soja e o enfraquecimento do mercado argentino afetaram, assim, as contas cambiais do País. Mas a isso se deve acrescentar os déficits em serviços e em renda primária, que subiram na comparação com junho de 2018.

O IDP caiu de US$ 6,9 bilhões em junho de 2018 para US$ 2,2 bilhões em junho de 2019, mas cresceu entre os primeiros semestres dos dois anos – de US$ 33,8 bilhões para US$ 37,3 bilhões – e atingiu US$ 91,8 bilhões em 12 meses, o equivalente a 4,91% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse porcentual é mais de cinco vezes superior ao déficit corrente, de apenas 0,91% do PIB.

Com reservas cambiais de US$ 388,1 bilhões e uma dívida externa sob controle (entre março e junho de 2019, por exemplo, a dívida bruta caiu de US$ 326,4 bilhões para US$ 321,2 bilhões), o Brasil reúne boas condições para enfrentar turbulências.

Será melhor, porém, buscar mais competitividade na exportação, reduzindo o custo para os produtores locais e aproveitando oportunidades como a que decorreu da peste suína na China ou que poderão se abrir com o Brexit – o divórcio entre a Grã-Bretanha e a União Europeia. O importante é que questões ideológicas não prejudiquem o comércio exterior.

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