Demanda fraca de bens industriais reforça incerteza

O Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais, definido como a produção interna líquida de exportações e acrescida de importações, registrou queda de 0,5% entre maio e junho

O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2019 | 05h00

O temor, já bastante disseminado, de que a economia brasileira tenha voltado à recessão no primeiro semestre – o que se saberá na semana que vem, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar as contas nacionais relativas ao segundo trimestre – foi reforçado pelos números do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontando queda do consumo de itens industriais. Os números, somados à ociosidade elevada e ao desemprego, ameaçam frustrar até o pífio avanço do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,83% em 2019, previsto na última pesquisa Focus, do Banco Central.

O Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais, definido como a produção interna líquida de exportações e acrescida de importações, registrou queda de 0,5% entre maio e junho, na série com ajuste sazonal. Houve um ligeiro aumento de 0,2% no consumo de itens nacionais, mas as importações de bens industriais recuaram 1,6%. Entre os segundos trimestres de 2018 e de 2019, o indicador exibiu queda de 1,6%. Isso ocorreu apesar da base de comparação deprimida, por causa da greve dos caminhoneiros de maio do ano passado.

Foram negativos, em junho, quase todos os dados do índice do Ipea. Entre os meses de junho de 2018 e de 2019, por exemplo, a demanda interna de bens industriais caiu 6,8%. Este foi, segundo os analistas do Ipea, “resultado pior que o desempenho apresentado pela produção industrial (queda de 5,9%) mensurada pela PIM-PF (Produção Industrial Mensal) do IBGE” em igual período.

Na comparação em períodos de 12 meses, a queda do consumo aparente de bens industriais foi de 0,4%, só não sendo pior por causa da elevação de 5,1% nas importações.

A perda de dinamismo da economia mundial e da economia brasileira é o mais recente fator negativo para a indústria local, que não dá sinais consistentes de recuperação desde a recessão 2015/2016. Os economistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) notaram que, “mesmo que o desempenho melhore na segunda metade do ano, o crescimento do PIB em 2019 tende a ser ainda menor do que muitos esperavam”.

A indústria, grande geradora de postos de trabalho qualificados, está sob ameaça de novos percalços neste semestre. Os números ruins de 2019 transcendem o forte recuo da produção extrativa decorrente da tragédia de Brumadinho.

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