Demanda maior e custo menor na captação externa

Incertezas com a economia do País não impediram o Tesouro de conseguir vender papéis no exterior

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2020 | 03h00

Seis meses após a emissão de US$ 3,5 bilhões, o Brasil voltou ao mercado externo num quadro bastante favorável aos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, marcado por juros baixos e boa liquidez, e captou US$ 2,5 bilhões na quarta-feira passada. Estima-se que houve ofertas de até US$ 8,5 bilhões pelos papéis, o que mostra o apetite dos investidores internacionais.

Incertezas com os rumos da economia brasileira, especialmente em razão de indefinições a respeito da condução da política fiscal – que tem resultado no crescimento da dívida pública –, não impediram que o Tesouro conseguisse vender três tipos diferentes de papéis, com taxas mais atraentes para o País do que as das emissões anteriores.

Os papéis vencem em 5, 10 e 30 anos. O mais longo foi vendido com a menor taxa de retorno da história, de 4,50% ao ano; em novembro de 2019, o custo para o papel com mesmo prazo de vencimento foi de 4,914% ao ano. O total de títulos chamados de Global 2050 (referência ao ano de vencimento) foi de US$ 750 milhões.

As taxas para os demais papéis também são menores do que as das emissões anteriores. O Tesouro emitiu US$ 500 milhões do Global 2025, que vence em cinco anos, com retorno de 2,20% (ante 3,00% em junho). Para o Global 2030 (títulos de dez anos), o Tesouro emitiu US$ 1,25 bilhão, com retorno de 3,45% (ante 4,00% em junho).

O momento de colocação dos papéis no mercado internacional foi considerado oportuno por duas razões. Era uma das últimas janelas do ano para operações internacionais dessa natureza. Fontes do mercado observam que, após a primeira semana de dezembro, a liquidez do mercado de títulos tende a se reduzir.

Além disso, a volatilidade do mercado, exacerbada em junho pelos sinais mais dramáticos da pandemia, arrefeceu no fim do ano. No meio do ano, era maior a percepção de risco de eventual calote da dívida externa brasileira, medido pelo Credit Default Swap (CDS), uma espécie de parâmetro da qualidade de títulos ao longo do tempo. Na época, o CDS para papéis brasileiros estava em 219 pontos básicos; na emissão desta semana, era de cerca de 155 pontos.

A emissão internacional de papéis mais longos ajuda a melhorar o perfil da dívida pública brasileira, pois contribui para alongar também o prazo de vencimento médio do total.

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