Depois da alta, saldo da poupança começa a cair

Os depósitos em caderneta de poupança foram fortemente impulsionados pelo pagamento do auxílio emergencial

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2021 | 05h00

O fato de janeiro ser, tradicionalmente, um mês de saques maiores do que depósitos nas cadernetas de poupança por causa das despesas extras no início de ano somou-se, em 2021, ao fim do pagamento do auxílio emergencial que beneficiou mais de 60 milhões de pessoas nos meses que se seguiram ao início da pandemia. O resultado foi a saída recorde de recursos da aplicação mais procurada pela população, após dez meses consecutivos de captações. Em janeiro, as cadernetas registraram retirada de R$ 18,154 bilhões, o maior volume para um único mês desde janeiro de 1995, quando o Banco Central iniciou o registro dessas operações. O recorde anterior tinha sido alcançado um ano antes: em janeiro de 2019, as retiradas líquidas alcançaram R$ 12,356 bilhões.

Em janeiro, os brasileiros depositaram R$ 244,908 bilhões e sacaram R$ 263,062 bilhões das cadernetas, daí resultando a retirada recorde. No fim do mês, o saldo total dos depósitos era de R$ 1,019 trilhão.

No início do ano, os orçamentos familiares são onerados com despesas especiais, como o recolhimento de impostos (IPTU e IPVA) e gastos escolares, entre os quais compra de material e taxa de matrícula no caso de escolas particulares.

O aumento sazonal de gastos domésticos coincidiu, neste ano, com o fim do pagamento do auxílio emergencial. O benefício começou a ser pago em abril, com o valor de R$ 600; nos últimos meses, até dezembro, o valor foi reduzido para R$ 300.

Os depósitos em caderneta de poupança foram fortemente impulsionados por esse benefício. Também a cautela de boa parte dos poupadores, preocupada com o trabalho e a renda no futuro, contribuiu para o aumento dos depósitos.

A fatia dessa modalidade de aplicação na carteira dos clientes dos segmentos de varejo tradicional e varejo de alta renda passou de 40% no fim de 2019 para 42,9% no fim do ano passado. São dados divulgados pelo presidente do Fórum de Distribuição da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), José Ramos Rocha Neto.

“Sem o auxílio emergencial, talvez a poupança não consiga manter esses níveis de crescimento”, previu Rocha, antes da divulgação dos números do Banco Central, pois ele já tinha dados mostrando que “a poupança já começa a ser consumida”.

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