Desaceleração de serviços evidencia a estagnação

Perda de força do setor mostra que se acentua o grau de estagnação da economia brasileira, já indicado pelos números da indústria e do comércio

O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2019 | 04h00

Perdem força, mês após mês, os sinais de vitalidade do setor de serviços, como evidenciam as comparações em 12 meses: até fevereiro, havia alta de 0,7% do volume de serviços prestados em relação aos 12 meses anteriores, porcentual que caiu para 0,6% em março e para 0,4% em abril. A alta de 0,3% entre março e abril de 2019 nem de longe compensou a queda de 0,8% entre fevereiro e março e de 0,4% entre janeiro e fevereiro. Em resumo, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que se acentua o grau de estagnação da economia brasileira, já evidenciado pelos números da indústria e do comércio.

Entre março e abril, cresceram três das cinco atividades pesquisadas pelo IBGE. Um dos indicadores positivos foi o dos serviços de informação e comunicação (+0,7%), seguindo-se os serviços profissionais, administrativos e complementares (+0,2%) e os serviços prestados às famílias (+0,1%). Quedas expressivas foram registradas em transportes e outros serviços. Nos transportes aéreos, por exemplo, houve recuo de 18% entre abril de 2018 e abril de 2019.

Os serviços têm grande dependência dos demais setores da economia, não dispondo da força evidenciada pelo segmento em outros países, como a Espanha, que obtém renda significativa proveniente do turismo, independentemente do que ocorre com o resto da economia, ou da Suíça, onde a área financeira contribui para o emprego e para o Produto Interno Bruto (PIB). Daí a importância de políticas públicas para o setor de turismo, por exemplo, que poderiam alavancar a economia brasileira.

Com o alto desemprego, as famílias estão sem poder de consumo, como se vê na queda de 0,8% dos serviços de alojamento e alimentação entre março e abril. Esse subsetor ainda cresce 2,6% em 12 meses, em relação aos 12 meses anteriores, mas o porcentual é pouco expressivo quando se lembra que a economia mal saiu da grave recessão do biênio 2015/2016 e do crescimento pífio de 2017 e de 2018.

Sem dinamismo, o setor de serviços – que pesa 70% no PIB – não ajuda na recuperação do ritmo da atividade. Entre os escassos sinais positivos da PMS de abril está o da evolução do volume de serviços prestados no Estado de São Paulo, em contrapartida a grandes quedas no Rio de Janeiro, em Mato Grosso e no Paraná.

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