Desafios à liderança do agronegócio

Setor precisa se mobilizar para conter os efeitos danosos de atos irresponsáveis do governo

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2020 | 03h00

Enquanto o PIB despenca, o agro sobe. A safra de grãos caminha para um recorde e o crescimento nas exportações deve garantir a segurança da balança comercial. Mas, ante águas revoltas, o agronegócio precisa robustecer a equipagem e firmar o prumo para navegar com força total.

Como advertiu ao Estadão/Broadcast Maurício Moraes, da PwC Brasil, o aumento do dólar favorece o setor, uma vez que as exportações superam as importações. Mas é importante que as empresas trabalhem com políticas de risco cambial, já que entre a data da importação de insumos e a da exportação dos produtos pode haver oscilações bruscas.É preciso, ainda, acompanhar as mudanças

nos hábitos de consumo. Ninguém deixará de se alimentar, mas a recessão pode levar o mercado a migrar para produtos mais baratos. As medidas de isolamento social também podem impactar a venda de alimentos perecíveis de difícil armazenagem, assim como a queda do petróleo afeta matérias-primas do etanol como cana e milho.

A China segue sendo o grande comprador, tanto mais que o seu déficit nas carnes suína e bovina deve se manter. Mas, para sua segurança alimentar, o país está implementando políticas agrícolas às quais os produtores brasileiros precisam ficar atentos.

Domesticamente, o agronegócio precisa fazer valer sua importância estratégica e aproveitar que o Ministério da Infraestrutura reúne quadros técnicos e competentes para pleitear reformas em setores cronicamente defasados. Estradas ruins e portos ineficientes são um entrave histórico à competitividade do agronegócio.

São necessárias estratégias para enfrentar medidas protecionistas que grassam no mundo. Em nome de sua guerrilha ideológica, porém, o presidente e seus apoiadores não perdem uma oportunidade de vituperar as causas ambientais ou o suposto projeto “globalista” da China. Eventuais apoios assim conquistados são pagos com a desconfiança dos investidores estrangeiros, e a negligência ante as agressões ambientais dá aos protecionistas o pretexto para advogar boicotes.

O agro precisa se mobilizar para conter os efeitos danosos de atos irresponsáveis do governo e exigir políticas ambientais convincentes. Sua dupla missão de gerar empregos no Brasil e alimentar o mundo é importante demais para ficar à mercê do projeto de poder de Jair Bolsonaro.

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