Desemprego nos EUA repete a Grande Depressão

Se ao total aferido pelo governo forem somados os trabalhadores desalentados, taxa deverá saltar de 14,7% para 24%

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

12 de maio de 2020 | 03h00

Nunca, desde 1933, durante a Grande Depressão, a economia dos Estados Unidos registrou um crescimento do desemprego tão impressionante como o observado em abril. No mês passado, 20,5 milhões de norte-americanos perderam o emprego, o que fez a taxa de desemprego dar um salto inédito, de 4,4% para 14,7%.

Na depressão, o desemprego chegou a 25%. O número do Departamento do Trabalho não contabiliza alguns componentes que tendem a elevar substancialmente o dado final. É muito provável, por isso, que a situação real do mercado de trabalho americano seja comparável à do início da década de 1930, o que dá uma ideia do impacto da pandemia sobre a maior economia do planeta.

Se ao total de desempregados aferido pelo governo forem somados os trabalhadores que, por desalento, deixaram de procurar uma ocupação por um período mais longo – e por isso deixaram de fazer parte da população economicamente ativa – e os que estão subocupados, a taxa deve subir para mais de 24%.

Em entrevista ao Broadcast, serviço de informação econômica em tempo real da Agência Estado, o professor Barry Eichengreen, da Universidade da Califórnia em Berkeley, disse que a taxa real de desemprego nos Estados Unidos pode estar perto de 25%.

Eichengreen observa que o relatório do governo aponta que cerca de 5% da força de trabalho “não está trabalhando por outros motivos”. Essas pessoas devem estar desempregadas. E há mais 5% de pessoas desalentadas, isto é, que precisam de trabalho, mas deixaram de procurar ocupação.

O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, admitiu que “os números relatados provavelmente vão piorar antes de melhorarem”. Mas ele acredita em recuperação, até rápida, a partir do segundo semestre. Mais cauteloso, o diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, disse que “ainda levará um tempo” para que a recuperação alcance o mercado de trabalho.

Também cauteloso com relação à recuperação econômica, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Minneapolis, Neel Kashkari, observou que a preocupação agora deve ser com a saúde, pois esta é “primeiro e sobretudo uma crise de saúde” e é para esse setor que os esforços devem ser canalizados. Seria bom se dirigentes de outros países o ouvissem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.