Despreparado para mudanças na economia mundial

Estudo do Fórum Econômico Mundial se propõe a responder como os países estão caminhando para uma realidade econômica que deve combinar produtividade, pessoas e proteção do planeta

Editorial Econômico, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2020 | 03h45

Num ano de eventos inéditos, o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) elaborou um estudo também inédito que excepcionalmente substitui seu respeitado Relatório da Competitividade Global. Para manter a série de seu conhecido relatório mesmo num ano marcado pela pandemia de covid-19, o novo estudo conserva seu título, mas traz como subtítulo Como estão os países no rumo da recuperação. Seu foco são as prioridades para a recuperação e a renovação das economias.

A pergunta central a que o estudo busca resposta é: como os países estão caminhando para uma realidade econômica que deve combinar produtividade, pessoas e proteção do planeta. A aferição é feita por meio de pontuação de cada país no atendimento de 11 quesitos. Num grupo de 37 países – bem menor do que o examinado no relatório de competitividade –, o Brasil está entre os menos preparados para as novas exigências da economia mundial.

Entre os quesitos estão a eficácia das instituições públicas para assegurar transparência às ações do governo e o atendimento das necessidade de longo prazo da população; a disponibilidade de infraestrutura que permita a transição para o uso de energia limpa; um sistema tributário capaz de assegurar padrões internacionais de taxação de empresas, riqueza e trabalho; a capacidade do sistema educacional para formar profissionais habilitados a desempenhar as funções exigidas no futuro; os cuidados com infância e velhice; e os incentivos para investimentos em invenção e inovação que criem os “mercados do futuro”.

Capital humano, instituições políticas, ambiente para as atividades empresariais, preocupações e ações em defesa do meio ambiente são as prioridades definidas pelo WEF como essenciais para que um país esteja preparado para os novos desafios do crescimento.

O Brasil não é o pior entre os países analisados em nenhum dos itens. A Federação Russa e a Grécia são piores em três; a Argentina, em dois. Mas isso está longe de assegurar ao País uma boa classificação. O Brasil está abaixo da média em todas as áreas consideradas. Na área de instituições públicas capazes de assegurar princípios sólidos de governança e ações de longo prazo, só não perde para o México e a Rússia. Quanto à corrupção, só está melhor que a Grécia e, novamente, o México.

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