Dificuldades e expectativas da América Latina

Pandemia e suas consequências continuam a turvar a avaliação da situação atual da região, considerada bastante desfavorável

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2021 | 03h00

O clima econômico da América Latina continua difícil, mas deve melhorar. Esta é a avaliação básica da Sondagem Econômica da América Latina realizada trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), com base em informações prestadas por especialistas nas economias de seus respectivos países.

Embora o índice geral tenha registrado sua quarta alta trimestral consecutiva, mostrando uma reação forte à queda provocada pela pandemia de covid-19 no segundo trimestre do ano passado, seus dois componentes mostram avaliação diferente quanto ao horizonte temporal, diz o estudo. A pandemia e suas consequências continuam a turvar a avaliação da situação atual, considerada bastante desfavorável. Mas as expectativas em relação aos próximos meses são otimistas.

O Indicador de Clima Econômico (ICE) avançou de 70,5 para 81,2 pontos entre o primeiro e o segundo trimestres de 2021, alta apreciável de 10,7 pontos, mas continua abaixo do registrado no quarto trimestre de 2019, antes da pandemia. Embora também tenha subido ao longo deste ano, o Índice de Situação Atual, um dos dois componentes do ICE, alcançou apenas 28,2 pontos no segundo trimestre, muito distante da linha de 100 pontos que separam as zonas favorável (acima) e desfavorável (abaixo).

“A pandemia de covid-19 é destacada como um problema em todos os países, mas a melhora da demanda mundial e do aumento do preço das commodities influencia positivamente na revisão do crescimento econômico para 2021 na maioria dos países da região”, avalia o relatório do Ibre/FGV.

Problemas novos somam-se a dificuldades históricas que os países da região enfrentam, com maior ou menor intensidade. Dois afetam todos. O primeiro, como previsível, é a pandemia e suas consequências sobre a vida social e econômica. O segundo, tradicional na região, é a falta de confiança na política econômica.

O terceiro problema com maior pontuação nos países latino-americanos que fazem parte do estudo do Ibre/FGV é a falta de inovação. Embora não se conheçam iniciativas de peso nesses países com relação à inovação, o reconhecimento de que este é um problema sério propicia a oportunidade para que ele seja, afinal, enfrentado. Não o fazer é apostar no atraso em relação ao resto do mundo

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