Direcionamento limita evolução do crédito bancário

Recuo expressivo do crédito direcionado concedido às pessoas jurídicas é causado, em especial, pela diminuição dos empréstimos do BNDES

O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2019 | 04h00

Embora o saldo das operações de crédito tenha atingido R$ 3,29 trilhões em julho, com queda de 0,2% comparativamente a junho, não houve apenas números negativos nas Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central (BC) relativas ao período. As concessões de crédito livre apontam para cenário mais favorável, com alta em 12 meses de 12,2% para pessoas jurídicas e de 13,4% para pessoas físicas.

No crédito livre, cresceram os saldos tanto entre junho e julho (+0,1%) como entre os últimos trimestres (+2,9%), entre os primeiros sete meses de 2018 e de 2019 (+4,5%) e nos últimos 12 meses, até julho (+12,1%).

Em valores, entre junho de 2018 e julho de 2019 a oferta de crédito livre aumentou quase R$ 200 bilhões, montante não desprezível. Mas esse avanço é menor quando são agregadas as estatísticas do crédito direcionado.

O que se destaca é um recuo expressivo do crédito direcionado concedido às pessoas jurídicas, decorrente, em especial, da diminuição dos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

No ano passado, o BNDES reduziu em R$ 43 bilhões o estoque de crédito às empresas, para R$ 444,3 bilhões. Em julho de 2019, esse valor caiu para R$ 405 bilhões, inferior em mais de R$ 50 bilhões ao de julho de 2018, dada a queda do financiamento de investimentos (-10,8%) e de capital de giro (-45,2%).

No total do sistema financeiro, enquanto diminui o crédito às empresas (-1,1% em 12 meses, para R$ 1,4 trilhão), cresce o peso das pessoas físicas, com alta de 10,6% em 12 meses, para R$ 1,9 trilhão. Isso ocorre apesar do elevado custo médio de 52,2% ao ano, com spread (diferença entre o custo de captação e o custo de aplicação) de 45,7%. Mesmo as linhas mais caras, como o cheque especial, registram aumento da demanda, indicando o aperto financeiro de tomadores que aceitam pagar juros médios anuais de 318,6%.

Os dados de crédito do BC relativos à demanda das famílias foram percebidos como favoráveis por agentes econômicos como o Itaú e associações de empresas como o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Mas a demanda das empresas ainda é baixa e só deverá crescer conforme a força da esperada retomada econômica. Entre junho e julho, caiu de 47,2% para 46,9% a relação crédito/Produto Interno Bruto.

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