Dissipa-se a confiança dos construtores

Levantamentos apontam que vem se dissipando o otimismo na construção civil desde o início do governo Bolsonaro

O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2019 | 04h00

Levantamentos da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do sindicato da habitação (Secovi-SP) revelam que vem se dissipando o otimismo presente na área da construção civil desde o início do governo Bolsonaro. É certo que, em alguns nichos de mercado, inclusive na habitação popular (programa Minha Casa, Minha Vida), a demanda continua sendo forte. Mas a maioria dos indicadores deixou de ser satisfatória e a confiança dos empresários está diminuindo.

Em março, a Sondagem da Construção da CNI mostrou que o Índice de Confiança do Empresário (Icei-Construção) mostrou queda pelo segundo mês consecutivo, atingindo 59,8 pontos. Embora acima da média histórica e da linha divisória de 50 pontos que separam os campos positivo e negativo, o indicador revela queda de confiança: o índice de intenção de investimento atingiu 34 pontos. “As dificuldades do cenário político diminuem a previsibilidade dos agentes econômicos”, afirmou a economista da CNI Dea Fioravante. Como resultado, predominou uma “postura mais cética dos empresários”, acrescentou Dea.

O Índice de Confiança da Construção (ICST) da FGV apresentou resultados ainda piores, com queda de 2,5 pontos entre fevereiro e março, atingindo 82,5 pontos, nível mais baixo desde outubro de 2018. A coordenadora do ICST, Ana Maria Castelo, nota que “o ritmo muito lento de crescimento da economia está minando a confiança mostrada pelos empresários da construção civil no final de 2018”. O dado de março, acrescentou, “acende uma luz amarela que reforça a preocupação com a retomada dos investimentos”. O nível de utilização da capacidade do setor da construção é de apenas 65,3%.

Em janeiro, segundo a Pesquisa do Mercado Imobiliário do Secovi-SP, as vendas dos últimos 12 meses ainda superam em 20,9% as dos 12 meses anteriores, atingindo 29,9 mil unidades, mas houve forte queda de 68,8% em relação a dezembro e leve queda de 4,1% comparativamente a janeiro de 2018. Números aparecem na oferta: apenas 286 unidades foram lançadas na capital em janeiro de 2019, ante 748 em janeiro de 2018. Em 12 meses, ainda há leve crescimento de 2,8%, para 32,3 mil unidades.

Também a construção sofre com a desconfiança na economia, agravada pela perda de capital político do governo.

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