Dívida cresce, mas inadimplência diminui

Mais dispostas a tomar empréstimos, as famílias estão também mais rigorosas no controle de dívidas anteriores

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2021 | 03h00

As famílias estão conseguindo adaptar-se de maneira bastante satisfatória, do ponto de vista financeiro, às restrições impostas pela pandemia sobre seus orçamentos. Ao mesmo tempo que contraem dívidas para aumentar, ainda que em ritmo moderado, sua capacidade de consumo, previnem-se para dificuldades futuras, procurando cumprir com mais rigor os compromissos já assumidos. É o que se pode concluir do fato de, em abril, o número de famílias endividadas ter alcançado o recorde histórico (igualando o resultado de agosto do ano passado). Também em abril, pelo oitavo mês consecutivo, diminuiu o porcentual daquelas com dívidas em atraso.

A pesquisa Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), constatou que a fatia de brasileiros com dívidas alcançou 67,5% do total em abril, com aumento de 0,2 ponto porcentual em relação a março. É a quinta alta mensal consecutiva, com o que o resultado de abril igualou o recorde de agosto e ficou 0,9 ponto porcentual acima do de um ano antes.

Mais dispostas a tomar empréstimos, as famílias estão também mais rigorosas no controle de dívidas anteriores. Pelo oitavo mês consecutivo, mostra a pesquisa, o porcentual de famílias com dívidas em atraso caiu em abril, para 24,2%, 1,1 ponto abaixo do resultado de abril de 2020.

Nas famílias com renda de até 10 salários mínimos, a queda foi de 27,2% em março para 26,9% em abril. “Com a perda e o comprometimento da renda, os consumidores de menor poder aquisitivo precisaram se reorganizar para fechar as contas”, avalia a responsável pelo estudo, Izis Ferreira.

Também caiu, entre março e abril, o porcentual de famílias que dizem não ter condições de pagar contas ou dívidas e que, por isso, continuarão inadimplentes. Em abril, 10,4% se disseram nessa situação.

O aumento das famílias endividadas já era previsto, tanto pela tendência observada nos meses anteriores como pelo impacto da pandemia na renda dos consumidores. “Mesmo com as dificuldades, a população média tem conseguido manter um nível de consumo, graças ao mercado de trabalho, mas tem usado mais o crédito”, observou o presidente da CNC, José Roberto Trados. Vacinação em massa, e mais rápida, é a receita para acelerar a recuperação.

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