Dívida pública, em queda, tem custo menor

Tomando apenas a dívida interna, o custo médio em 12 meses caiu de 9,37% ao ano em dezembro de 2018 para 8,43% ao ano em outubro de 2019

O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2019 | 04h00

Acelerou-se a tendência de queda do custo da dívida pública em títulos. Em outubro, o custo médio acumulado em 12 meses foi de 8,61% ao ano, queda de 1,25 ponto porcentual em relação a dezembro de 2018. Para um estoque de dívida de R$ 4,1 trilhões, isso significa um corte de despesa da ordem de R$ 50 bilhões. É uma decorrência da política monetária do Banco Central (BC) iniciada no governo anterior e mantida no governo atual.

Tomando apenas a dívida interna, o custo médio em 12 meses caiu de 9,37% ao ano em dezembro de 2018 para 8,43% ao ano em outubro de 2019. O custo médio de emissão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) cedeu de 6,44% ao ano em dezembro passado para 6,23% ao ano em outubro. As LFTs, cuja remuneração está atrelada à taxa Selic, são os papéis com maior peso na dívida interna (quase 40%) e têm sido os mais demandados pelos investidores.

Em outubro, de acordo com o Relatório Mensal da Dívida Pública Federal, houve queda nominal de 0,84% no estoque da dívida, de R$ 4,156 trilhões para R$ 4,121 trilhões. Isso se deveu, em especial, ao resgate de papéis prefixados.

As entidades de Previdência ampliaram a participação no estoque da dívida de 25,25%, em setembro, para 25,62%, em outubro. O mesmo ocorreu com os fundos de investimento, que detêm 26,48% da dívida. Instituições financeiras e investidores estrangeiros reduziram seu peso na dívida.

Um ponto positivo foi a queda da parcela da dívida vencível em 12 meses, de 19,73% em setembro para 18,70% em outubro. Isso significa menor pressão sobre a rolagem dos papéis. Com isso, o Tesouro dispõe de condições melhores para rejeitar as ofertas de compras de títulos com remuneração superior à que considera adequado pagar.

A redução da dívida mobiliária em dólares, de 3,29% do total em setembro para 3,13% em outubro de 2019, embora modesta, é outro ponto favorável. Ela significa menor exposição do País às flutuações cambiais, tendo em vista os recordes de alta do dólar em relação ao real. Incluindo a parcela em euros e títulos em reais emitidos no exterior, o peso da dívida externa no total da dívida pública se aproxima de 4% da dívida mobiliária total.

Além de evitar custos elevados devidos à valorização do dólar, o Tesouro vem alongando os prazos de vencimento dos papéis da dívida externa.

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