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Novo governo deve receber um balanço de pagamentos muito saudável

Editorial Ecconômico, O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2018 | 05h00

O saldo das contas cambiais foi negativo em apenas US$ 795 milhões em novembro, confirmando a expectativa de que o novo governo receberá um balanço de pagamentos muito saudável, o que ajudará a administração da economia. Essa condição é muito importante num momento em que nuvens negras se apresentam no mundo desenvolvido, com juros em alta nos Estados Unidos, desaceleração na Europa e na China, ações e commodities em queda e menor oferta de recursos para os países emergentes.

Mais do que reservas confortáveis de quase US$ 380 bilhões, os indicadores mostraram evolução da balança comercial melhor que a esperada pelas autoridades, com superávit de quase US$ 50 bilhões em 2018, apesar do crescimento expressivo das importações. A corrente de comércio (exportações mais importações), medida mais relevante do grau de abertura da economia, também cresceu.

O déficit na conta corrente do balanço de pagamentos foi de apenas US$ 14 bilhões nos últimos 12 meses, até novembro, correspondendo a 0,74% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo as Estatísticas do Setor Externo do Banco Central.

O déficit corrente, que é a principal medida de solvência externa, caiu pelo terceiro mês consecutivo, sendo financiado com larga sobra pelos investimentos diretos no País. Estes atingiram US$ 10,3 bilhões em novembro, maior valor para o mês desde 1995, e US$ 77,8 bilhões entre janeiro e novembro, 18,6% mais do que em igual período de 2017.

Com bons números cambiais, não há motivos para temer que as retiradas líquidas de US$ 5,2 bilhões de recursos que estavam aplicados em renda fixa, ações e fundos de investimentos por aplicadores externos sejam vistas como indício de desinteresse dos investidores estrangeiros. Nos fins de ano, esses investidores reavaliam sua exposição global, deixam mais recursos nas matrizes e postergam para o início do ano novas decisões de alocação de investimentos.

Em 2019, o que poderá afetar mais intensamente a economia brasileira é a alta de juros nos Estados Unidos, que provoca depreciação dos ativos de risco. O Brasil enfrentará as dificuldades em boa posição, podendo ocupar mercados abertos com a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Mas o País deve também evitar marolas que possam afastar investidores externos.

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