Economia paulista cresce menos em agosto

Resultado modesto pode ser apenas um ponto fora da curva; mas pode também indicar perda de fôlego

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2020 | 22h00

A recuperação da economia paulista pode estar perdendo dinamismo. Depois de ter se expandido a um ritmo superior a 3% ao mês de maio a julho, o PIB+30 para agosto, prévia do resultado a ser aferido pelos indicadores usuais, avançou apenas 0,6% (sempre na comparação com o mês anterior). Na comparação com agosto de 2019, o avanço foi de 1,3%. No resultado acumulado dos oito primeiros meses do ano, o aumento foi igualmente de 1,3% em relação a 2019.

O indicador foi criado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), vinculada ao governo do Estado de São Paulo, para monitorar as tendências da economia paulista no cenário marcado pela pandemia. O PIB+30 representa cerca de 97% do PIB do Estado de São Paulo.

O exame do resultado mensal do PIB+30 em 2020 mostra que, em fevereiro, a economia fraquejava. Naquele mês, antes da chegada da pandemia de covid-19 ao País, o resultado tinha sido 1,1% menor do que o de janeiro. Em março, a queda foi de 1,4% e, em abril, pior mês da série, de 7,5%.

A recuperação em maio, com aumento de 3,3%, parecia indicar o início de firme retomada do crescimento. Os resultados dos dois meses seguintes (crescimento de 3,8% em junho e de 3,1% em julho) fortaleciam o otimismo. O crescimento bem mais modesto em agosto pode ser apenas um ponto fora da nova curva; mas pode também indicar perda de fôlego.

A evolução em julho, porém, foi animadora. Na comparação com igual mês do ano passado, o PIB de julho cresceu 2,1%. A média móvel dos últimos três meses teve aumento ainda mais expressivo, de 3,4%.

Os dados consolidados mostram que o setor de serviços mostra vigor. A indústria – “que vinha ensaiando um mergulho recessivo contínuo e bastante profundo”, segundo a Seade – mostrou recuperação em relação a junho (aumento de 6,3%) e a julho do ano passado (crescimento de 0,5%). A taxa anualizada, no entanto, permanece negativa (redução de 2,7%).

Setores que mostravam vigor antes do início da crise do coronavírus, como o mercado imobiliário na cidade de São Paulo, continuam a apresentar bons resultados. As vendas de imóveis na capital cresceram 21,1% em julho em relação a julho de 2019. Resultados como esses, segundo a Seade, dão às empresas capacidade de resposta para a retomada do crescimento, viabilizando-a.

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