Economia perde fôlego, segundo ‘Monitor’ da FGV

Comportamento decepcionante do PIB neste início de ano é explicado pela rápida desaceleração da indústria de transformação

O Estado de S.Paulo

27 de março de 2019 | 04h00

A rápida desaceleração da indústria de transformação é a maior responsável pelo comportamento decepcionante do Produto Interno Bruto (PIB) neste início de ano. Entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, houve alta de apenas 0,3% no PIB, segundo o Monitor do PIB – FGV, elaborado com as mesmas metodologia e informações das Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação interanual, entre os trimestres móveis novembro/2017 e janeiro/2018 e novembro/2018 e janeiro/2019, a variação do PIB foi positiva em 0,7%, em declínio quase constante desde o ponto mais alto dos últimos meses, de 1,7% no trimestre encerrado em agosto de 2018.

Após crescer 3,4% em agosto de 2018, a indústria de transformação caiu 2,8% em janeiro último. Há “uma perda de fôlego (da economia) explicada, principalmente, pela retração da transformação”, constatou o coordenador do Monitor, economista Claudio Considera. “Esta atividade – enfatiza Considera – tem grande poder de impulsionar outros segmentos da economia, impactando diretamente os investimentos, que já começaram também a arrefecer.”

Outros dados preocupantes, além dos relativos à transformação, estão no estudo da FGV, que abrange consumo das famílias, Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), exportações e importações.

O consumo das famílias é o item que apresenta melhor comportamento, com alta de 1,4% no trimestre móvel findo em janeiro, comparativamente a igual trimestre de um ano atrás. O responsável é o consumo de serviços, com peso de 80% na taxa de crescimento. Mas a alta ocorreu numa fase de saques líquidos das reservas das famílias, em parte depositadas nas cadernetas de poupança. Estas perderam R$ 15 bilhões no primeiro bimestre deste ano.

Houve elevação tanto de importações como de exportações, mas os números são engordados artificialmente pela contabilização das plataformas de petróleo. No plano positivo, só se destaca o aumento das exportações de produtos da agropecuária.

Por fim, é cadente, desde o terceiro trimestre de 2018, o ritmo de aumento do investimento (FBCF), que declinou do pico de 7,8% para apenas 2,4% no trimestre móvel terminado em janeiro. Mais grave, segundo os especialistas da FGV, é que o cenário “não é animador”.

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