Economia um pouco melhor em fevereiro

A inflação mais alta do primeiro trimestre não mudou as expectativas

Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2019 | 03h00

Depois de um mês de janeiro “muito ruim, mostrando um recuo mais expressivo da indústria de transformação”, segundo o Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) de março, houve sinais de retomada da economia em fevereiro. O que se constata é a volatilidade do ritmo de atividade econômica. Há poucos dias, o Monitor do PIB, também do Ibre-FGV, enfatizou as dificuldades do primeiro mês de 2019. Não há contradição entre o Monitor do PIB e o Boletim Macro, com análises muito diferentes, mas a constatação de que oscilações econômicas e incertezas caminham juntas.

Os economistas Armando Castelar Pinheiro e Silvia Matos, da FGV, notam que os “indicadores coincidentes para fevereiro apontam recuperação” da indústria, mas o setor secundário ainda evolui mais lentamente do que os serviços e o comércio varejista. Graças à recuperação da indústria, a expectativa dos especialistas é de que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 0,6% no primeiro trimestre e 2,1% neste ano. Mas isso, advertem, depende de que “a agenda de reformas continue avançando, com destaque para a Previdência”.

As incertezas enfatizadas nos textos do Boletim Macro são atenuadas por outros fatores, como a evolução positiva do mercado de trabalho em fevereiro. Foram abertas 173 mil vagas com carteira assinada no mês, o dobro do previsto pelo Ibre-FGV, com destaque não só para os serviços, mas para a indústria de transformação (+33,5 mil postos) e a construção civil (+11,4 mil vagas).

A inflação mais alta do primeiro trimestre não mudou as expectativas: os analistas do Ibre-FGV dizem que a aceleração dos preços decorrente da quebra de safras e de alta de combustíveis é “consistente” com uma inflação esperada não superior a 3,9% em 2019, abaixo do centro da meta de 4,25%, segundo o especialista André Braz. E José Julio Senna avalia que a política monetária dá “claros sinais de continuidade”, permitindo prever que a taxa Selic não mudará no ano.

A maior preocupação refletida no Boletim Macro diz respeito ao peso das incertezas. Estas poderiam dificultar o crescimento do consumo das famílias, estimado em 2,6% para este ano, e a evolução da taxa de investimento, de 4,6%, em relação a 2018. Para a confiança, contribuiria muito o apoio ao governo de “uma maioria estável” no Congresso, o que “ainda não está claro”.

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