Editorial Econômico: Com a pandemia, mais pobres na América Latina

Não há muitos sinais para otimismo no futuro; cenário descrito pela Cepal é de baixo crescimento, aumento da pobreza e crescentes tensões sociais

Editorial Econômico, O Estado de S. Paulo

07 de março de 2021 | 05h00

A pandemia tornou mais evidentes algumas das grandes lacunas econômicas e sociais da América Latina e exacerbou outras. É o que mostra o Panorama Social da América Latina 2020 divulgado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), organismo vinculado à ONU. A pobreza e, sobretudo, a pobreza extrema voltaram a crescer.


E teriam crescido mais, fazendo a região retornar às condições do início do século, caso diversos governos não tivessem colocado em prática programas de auxílio financeiro de emergência às populações mais carentes.

Não há muitos sinais para otimismo no futuro próximo. O cenário descrito pela Cepal continua desolador: baixo crescimento, aumento da pobreza e crescentes tensões sociais.

O Panorama estima que o Produto Interno Bruto (PIB) da região tenha encolhido 7,7% em 2020 como consequência da redução da atividade econômica imposta pela pandemia de covid-19. A crise elevou a taxa de pobreza na região para 33,7%, mais de 3 pontos porcentuais acima do índice de 2019, de 30,5%. A extrema pobreza atinge 12,5% da população regional, ante 11,3% um ano antes.

Os números absolutos dão uma noção mais precisa da dimensão do drama da pobreza na América Latina. São 209 milhões de pessoas que vivem nessa condição. Dessas, 78 milhões estão na condição de extremamente pobres.

Dados anuais a partir de 1990 mostram que os países da região vinham conseguindo êxito considerável em suas políticas de combate à pobreza. De 51,2% da população naquele ano, a taxa de pobreza tinha baixado para cerca de 30% desde o início deste século. Sem os programas emergenciais, a taxa de 2020 teria sido de 37,2%, o que representaria um regresso para as condições observadas há pelo menos 15 anos.

Os custos da desigualdade se tornaram insustentáveis, advertiu a secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena. Um aspecto grave da deterioração das condições de vida na região é o alto grau de incerteza sobre os meios e a velocidade para sair da crise.

Segundo Bárcena, “um novo pacto social está mais atual do que nunca” e este é o momento para discuti-lo. Para alcançá-lo, porém, é preciso recuperar a política como instrumento de mudança e mecanismo para decidir, divergir, concordar e, assim, gerar bens públicos e acordos duradouros.

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