Efeito devastador da crise sobre a confiança

O índice que retrata a situação corrente dos negócios (ISA-E) diminuiu 29,4 pontos, para 62,2 pontos. Ainda mais intensa foi a variação do Índice de Expectativas (IE-E), que cedeu 39,7 pontos, para 48,2 pontos

Notas & Informações, Impresso

21 de abril de 2020 | 06h34

Até o dia 13 de abril, segundo prévia extraordinária das sondagens setoriais de confiança feitas mensalmente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), os resultados foram ruins, refletindo a intensidade da recessão que se abate sobre o País. A crise do vírus empurrou os indicadores para patamares abaixo das mínimas históricas. A queda é um recorde, que poderá ser superado em maio, prevê a coordenadora de Sondagens da FGV, Viviane Seda. Os resultados definitivos das sondagens de abril serão divulgados no final do mês.

As sondagens evidenciam o impacto, no Brasil, da pandemia global do coronavírus, que afeta o ânimo dos empresários no curto e no médio prazos. Pode-se dizer que o Brasil se alinha ao mundo na mais grave recessão desde os anos 30 do século passado, como prevê o Fundo Monetário Internacional (FMI). A economia global “está em colapso”, escreveu um dos mais conhecidos analistas econômicos da atualidade, Martin Wolf, editor do Financial Times.

A crise da covid-19 afeta, sem exceção, as expectativas dos empresários do conjunto dos setores econômicos. Ela não tem equivalente em relação a outros abalos recentes.

O setor de serviços – maior contribuinte do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro – foi o mais atingido, seguido pela indústria.

Em relação ao número final de março, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) recuou, segundo a prévia da FGV, 27,6 pontos, atingindo 53,7 pontos. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 22,1 pontos, para 58,1 pontos.

O índice que retrata a situação corrente dos negócios (ISA-E) diminuiu 29,4 pontos, para 62,2 pontos. Ainda mais intensa foi a variação do Índice de Expectativas (IE-E), que cedeu 39,7 pontos, para 48,2 pontos.

A desconfiança evidenciada nas sondagens mostra a importância das políticas oficiais destinadas a aliviar a situação financeira das empresas e evitar demissões.

O pagamento do auxílio emergencial, seguido da nova liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para os trabalhadores com carteira assinada, será decisivo para manter o consumo. Entre os consumidores, o índice de percepção sobre a situação atual cairia 10,8 pontos, para 65,3 pontos.

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