Efeitos da lenta recuperação na balança comercial

Lento ritmo de recuperação da economia brasileira explica redução de 2% na soma de exportações e importações do País nos primeiros quatro meses do ano

O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2019 | 04h00

A redução de 2% na corrente de comércio – soma de exportações e importações – do Brasil nos primeiros quatro meses do ano, na comparação com o período janeiro-abril de 2018, resulta do desaquecimento da demanda global e do lento ritmo de recuperação da economia brasileira. Tanto as exportações (redução de 2,7%) quanto as importações (redução de 0,8%) diminuíram no primeiro quadrimestre na comparação com igual período do ano passado. O saldo comercial no período, de US$ 16,576 bilhões, é 8,7% menor do que o de um ano antes.

Embora mostrem menor dinamismo do comércio exterior do País, esses números não são motivo para preocupação. O saldo comercial estimado pelo governo para todo o ano é de US$ 50,1 bilhões, um resultado que, embora menor do que o de 2018 (saldo de US$ 58,66 bilhões), garante uma situação confortável para as contas externas do País. Alguns economistas de empresas privadas projetam um saldo maior. Além do superávit comercial elevado, o Brasil vem contando com a entrada de volumosos recursos externos na forma de investimentos estrangeiros diretos, aplicados no sistema produtivo.

Em abril, as exportações alcançaram US$ 19,7 bilhões, resultado ligeiramente menor do que o de um ano antes, pelo critério de média diária (recuo de 0,1%). Aumentaram as exportações de petróleo (33,1%) e de carnes (41,7%), mas diminuíram as de soja (queda de 14,0%), materiais de transporte (-23,3%) e minérios (-25,2%).

A acentuada queda das vendas externas de materiais de transporte é consequência da crise na Argentina, grande importadora de veículos brasileiros. Já a redução das exportações de minérios em boa parte se deve à redução da produção da Vale, depois da tragédia do rompimento da barragem em Brumadinho, Minas Gerais. Mas parte é resultado de um cenário internacional marcado por desaquecimento de demanda e queda generalizada de preços, o que afetou também as exportações de soja.

Quanto às importações, a redução se deve ao fraco desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre, período em que o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter caído.

É possível que, nos próximos meses, os resultados da balança comercial melhorem. A aprovação da reforma da Previdência certamente aceleraria a recuperação.

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