Em busca de alternativas para o crescimento

Há um limite mínimo para a ação dos bancos centrais na definição dos juros, como é o caso da Selic no Brasil

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2020 | 03h00

Embora reconheça que a economia brasileira necessita de “muito estímulo”, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, observou que há limite para novas reduções dos juros no País. Em sua reunião de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto porcentual, reduzindo-a para 2% ao ano, o nível mais baixo da história. O Copom destacou então que, se houver espaço para novas quedas, será pequeno.

Ao participar, como primeiro convidado, da série Estadão Live Talks – organizada por este jornal em parceria com a Tendências Consultoria Integrada para discutir alternativas para a retomada do crescimento –, Campos ressaltou que “em mercados emergentes, juros muito baixos nunca foram experimentados”.

Especialistas em política monetária consideram que há um limite mínimo para a ação dos bancos centrais na definição dos juros. Segundo Campos, quando esse limite é rompido, o efeito pode ser o contrário do almejado. Além disso, em mercados de países emergentes, “juros muito baixos nunca foram experimentados”.

A política do BC brasileiro pode estar chegando nesse mínimo. Há, porém, além desse risco apontado pelos especialistas, um fator adicional que limita o papel da política monetária no estímulo ao crescimento. Trata-se da questão fiscal, sempre apontada pelos comunicados do Copom como fator a ser avaliado com atenção nas decisões sobre a Selic.

A advertência foi repetida por Campos em sua participação na série organizada pelo Estado. “Entendemos que o teto fiscal é importante e, se afrouxarmos as regras fiscais, vamos voltar aos problemas anteriores.”

Há aí pelo menos dois recados aos que têm responsabilidade nas definições da política fiscal, ou seja, membros do governo, a começar pelo presidente da República e congressistas. O primeiro é a necessidade de preservação do teto de gastos, que dá confiabilidade à gestão dos recursos públicos. Outro é que, apesar do aumento emergencial de gastos imposto pelas medidas de enfrentamento da pandemia, os gestores não podem prescindir do rigor na administração dos recursos orçamentários.

São temas como este que a série do Estado pretende discutir. A próxima participante será a ministra da Agricultura, Tereza Cristina. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.