Em crise, Estados apostam no capital privado

Oportunidades para o aporte de dinheiro privado existem em quantidade, agora é preciso torná-las viáveis

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2020 | 03h00

O agravamento da crise fiscal de boa parte dos governos estaduais – decorrente das dificuldades impostas pela pandemia de covid-19 à atividade econômica e à vida das pessoas – acelerou a disposição das administrações dos Estados de buscar formas de parceria com o capital privado e de abrir para investidores particulares áreas e atividades que em geral só dispunham de recursos públicos. Essa disposição ficou clara na conferência Infraestrutura, PPPs e Concessões realizada pelo Estado e pela Hiria.

A aceleração de projetos de Parcerias Público-Privadas (PPPs), privatizações e concessões de serviços é o recurso de que estão lançando mão governos estaduais para acelerar a atividade econômica a partir de 2021. Esta foi a disposição expressada por governos de 11 Estados que, por meio de seus governadores e outros dirigentes, participaram da conferência, realizada em São Paulo.

A carteira de projetos é ampla e capaz de atrair volume expressivo de investidores e investimentos. Ela inclui rodovias, aeroportos e serviços de saneamento, além de concessões de florestas, parques e equipamentos esportivos.

Os participantes da conferência destacaram a importância da presença da iniciativa privada em obras e serviços públicos. É tardia essa percepção e, sobretudo, a admissão, por amplo grupo de gestores públicos, da importância de capital privado na manutenção, melhoria e expansão da infraestrutura e de obras e serviços públicos. Por muito tempo esse segmento foi controlado pelo setor público, cuja capacidade financeira se esvaiu. Mas, ainda que provocada por uma crise sanitária de proporções que não se conhecia, a mudança é bem-vinda.

É conhecida a resistência de parte dos políticos, bem como de parcela da sociedade, às políticas de privatização. Como lembrou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, 55% da população se opõe à privatização de estatais. Mas, com a persistente crise financeira do setor público, em particular dos governos estaduais, não há como realizar os investimentos necessários para assegurar a competitividade do setor produtivo, o crescimento da economia e a melhoria dos serviços públicos sem a participação de capitais particulares.

Oportunidades para o aporte de dinheiro privado existem em quantidade, como ficou claro no seminário. Agora é preciso torná-las viáveis.

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