Emprego formal cresce sustentado pela demanda

Saldo líquido positivo foi de 249,4 mil vagas em agosto, puxado essencialmente pelas atividades da indústria

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2020 | 03h00

Em agosto, pelo quarto mês consecutivo, os indicadores da contratação de empregados com carteira assinada superaram as expectativas das consultorias econômicas. O saldo líquido positivo foi de 249,4 mil vagas no mês, puxado pelas atividades da indústria. Mas também foi favorável nos outros setores econômicos, segundo o Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas do Ministério da Economia. O maior destaque esteve nos efeitos da recuperação do segmento de imóveis: a indústria da construção civil contratou 50,5 mil trabalhadores, em termos líquidos, em agosto, enquanto os serviços de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas geraram 55,5 mil contratações.

A recuperação recente da massa de empregos teve efeito favorável sobre o ânimo dos trabalhadores e trouxe como efeito o aumento do número de pessoas que procuram uma vaga de trabalho. Isso ajuda a explicar os níveis recordistas de desemprego apurados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C) do IBGE.

A retomada da demanda de bens, ainda mais do que da de serviços, torna-se cada vez mais clara. A demanda é influenciada positivamente pelo impacto do auxílio emergencial sobre as famílias de menor renda, muitas das quais preservaram ou até aumentaram seu consumo. Falta avaliar com alguma precisão o quanto essa demanda será sustentável, pois o auxílio emergencial teve seu valor reduzido e valerá até dezembro. Além disso, pressões inflacionárias poderão afetar negativamente o consumo de itens essenciais e de importados.

O comportamento do emprego formal entre janeiro e agosto apresentou enormes oscilações. Foi cortado 1,13 milhão de empregos nos primeiros oito meses de 2020. Mais da metade dos desligamentos ocorreu no setor de serviços (589 mil) e uma quarta parte se verificou no comércio (283 mil). A indústria cortou 206 mil vagas (18%), enquanto foi pequeno o porcentual de desligamentos na construção civil (menos de 3% ou 32,6 mil vagas). Na agropecuária, houve saldo líquido de contratações (32,3 mil).

Não há dúvida quanto à recuperação da maior parte dos setores de atividade. Mas a continuidade da melhora do emprego formal dependerá não só da demanda, como da confiança das empresas no futuro.

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