Empresa e responsabilidade diante da crise

Produção, vendas, faturamento, rentabilidade, remuneração de acionistas e outros dados financeiros e contábeis que balizam as projeções, os planos e, agora, as aflições dos dirigentes das empresas estão em queda, e até em risco

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2020 | 06h41

A adesão, até o momento, de mais de 4 mil empresas ao manifesto no qual se comprometem a não demitir funcionários durante pelo menos dois meses em razão das consequências econômicas da pandemia da covid-19 é uma animadora demonstração de que, em parte significativa do mundo dos negócios, é forte o sentimento de responsabilidade social neste momento dramático para todos.

Produção, vendas, faturamento, rentabilidade, remuneração de acionistas e outros dados financeiros e contábeis que balizam as projeções, os planos e, agora, as aflições dos dirigentes das empresas estão em queda, e até em risco. Sobreviver com o menor dano possível tem sido o foco das empresas nesses tempos de pandemia. Mas a crise haverá de acabar e, quando isso ocorrer, haverá necessidade de retomar o ritmo da atividade econômica. Para isso, haverá que existir quem tenha condições de consumir, daí a importância de, na medida do possível, preservar o emprego e a renda das pessoas. 

“As empresas têm de entender que fazem parte de um ecossistema em que a saúde de todos os negócios depende da manutenção dos empregos”, disse ao Estado o presidente do conselho de administração da Ânima Educação, Daniel Castanho, que lançou o projeto.

Mas o efeito desse movimento não é meramente econômico. Ele pode vir a ter grande efeito social, sobretudo na faixa da população de renda mais baixa, mais vulnerável ao impacto da crise decorrente da pandemia. Daí a importância social de iniciativas dessa natureza.

A adesão a esse compromisso não tem valor jurídico formal, mas é uma demonstração das empresas que tomaram essa decisão de que estão cientes de seu papel na sociedade em que operam. Elas estão, como as demais empresas e todas as pessoas, sujeitas aos riscos e consequências ainda não inteiramente conhecidos da pandemia e da acentuada redução da atividade econômica por ela provocada.

Por isso, talvez nem todas possam cumprir inteiramente o compromisso que agora assumem, pois parte delas poderá ser afetada mais duramente pela aguda recessão que está em curso em todo o mundo. Não terão, porém, mesmo que isso venha a ocorrer, deixado de agir, quando puderam, de maneira responsável do ponto de vista social.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.