Empresários da construção estão mais satisfeitos

Setor cresceu 2% entre os segundos trimestres de 2018 e de 2019, segundo o IBGE, mas a partir de uma base muito baixa

O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2019 | 04h00

Ao divulgar a Sondagem da Construção relativa a agosto, a economista Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção da FGV/Ibre, afirmou que “o ambiente de negócios está mais favorável, tornando os empresários mais confiantes na recuperação do setor”. A ressalva é de que não é exatamente de satisfação que se trata, pois “deve-se dizer que os empresários estão menos insatisfeitos”. E isso se explica porque o Índice de Situação Atual (ISA), um dos componentes do Índice de Confiança da Construção (ICST), “permanece em um patamar que ainda indica atividade baixa”.

Em resumo, o ritmo de melhora é lento e insuficiente para alavancar a economia, explicou Ana Maria Castelo. De fato, a construção cresceu 2% entre os segundos trimestres de 2018 e de 2019, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas a partir de uma base muito baixa.

A tendência apontada na sondagem da FGV confirma levantamento feito há alguns dias pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrando que a recuperação do setor da construção está longe de produzir euforia.

As sondagens são menos otimistas do que buscou mostrar a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), sugerindo que os compradores se antecipem a uma elevação de preços de imóveis em razão da queda de estoques. É possível que a Cbic esteja com a razão, mas o ânimo dos construtores revelado nas pesquisas ainda não assegura retomada vigorosa.

O melhor resultado do ICST aparece no Índice de Expectativas (IE), que atingiu 97,9 pontos, o maior desde janeiro de 2014, determinado tanto pelo indicador da demanda prevista para os próximos três meses como pelo indicador de tendência de negócios nos próximos seis meses.

Embora estejam abaixo da marca de 100 pontos que separam os campos positivo e negativo, os dados mostram que a indústria da construção, com todas as ressalvas, está saindo da crise.

A evolução seria mais rápida não fosse a falta de repasse de recursos para o Programa Minha Casa Minha Vida, que, segundo a FGV, teve papel fundamental de sustentação da atividade em boa parte dos anos de crise setorial.

O importante agora é que a recuperação da atividade da construção ocorre apesar da retração de recursos para habitação popular.

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