Empresas ainda retardam investimentos

Estudos mostram que as companhias hesitam antes de comprar máquinas e equipamentos para ampliar a produção

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2020 | 05h00

O ambiente é mais favorável aos investimentos, mas não o suficiente para que as grandes empresas decidam aumentar sua capacidade de produzir. É o que mostra a Nota Cemec Fipe 10 – 2019 relativa ao que ocorreu até o terceiro trimestre do ano passado com 658 companhias brasileiras, das quais 237 de capital aberto.

Já o Indicador Ipea Mensal de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) mostra recuo dos investimentos no quarto trimestre de 2019. Os dois estudos mostram que as companhias hesitam antes de comprar máquinas e equipamentos para ampliar a produção.

Trata-se de situação paradoxal, pois estão dadas as condições básicas para que as companhias retomem investimentos, segundo a Nota Cemec. Estudos indicam que as empresas decidem investir levando em conta “a relação entre a taxa de retorno do capital total investido e o custo médio ponderado de capital e a expectativa da taxa média de crescimento do PIB (demanda) nos três anos adiante do ano de referência”. As duas condições foram satisfeitas nos 12 meses compreendidos entre o quarto trimestre de 2018 e o terceiro trimestre de 2019.

Os dados dos balanços mostram que a taxa de retorno do capital total investido superou o custo médio do capital. Esse resultado foi observado em 51% das empresas da amostra, mais do que os 33% constatados em 2016.

Com juros em queda, a situação financeira das grandes empresas melhorou. Essas companhias têm mais acesso ao mercado de dívida corporativa e se beneficiam com a demanda de investidores por papéis de crédito privado. Segundo o professor Carlos Antonio Rocca, que dirige a Cemec, também “as condições de financiamento de empresas de menor porte devem ter avanços significativos a partir de 2020, com a implementação de várias inovações regulatórias e o aumento de concorrência no mercado de crédito”.

A taxa de investimento das empresas abertas da amostra (incluídas Petrobrás, Eletrobrás e Vale) mais que dobrou de 2016 para 2018, de 1,75% para 3,85% do PIB. Mas parou de crescer em 2019, atingindo 3,75% do PIB. Excluídas as três grandes empresas mencionadas, o investimento cresceu de 0,7% para 1,1% do PIB em 2018 e subiu apenas para 1,2% do PIB em 2019. É pouco para permitir uma retomada mais expressiva da economia.

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