Empresas em melhor situação financeira

A esperança está na mudança da política do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cujo presidente, Joaquim Levy, prometeu ampliar a oferta de crédito para as empresas de pequeno porte

Editorial Econômico, O Estado de S. Paulo

20 Janeiro 2019 | 05h00

Caíram, em 2018, não só o número de empresas que entraram com pedido de recuperação judicial, como o das que pediram falência. A situação financeira das companhias de pequeno porte mostrou-se mais difícil, ao contrário do que ocorreu, em média, com as empresas médias e grandes, menos atingidas pela lentidão da retomada da economia. As dificuldades, no entanto, não impediram alguma melhora da situação financeira do conjunto de empresas, segundo o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações de dezembro.

Em 2018, houve 1.408 pedidos de recuperação judicial, nível inferior em apenas 0,8% ao observado em 2017 (1.420 solicitações). As micro e pequenas empresas apresentaram 871 requerimentos de recuperação, seguidas das médias companhias (327) e das grandes (210).

Cabe notar que os números de 2017 e de 2018 são muito inferiores aos de 2016, quando os pedidos de recuperação marcaram o recorde histórico e foram feitos por 1.863 empresas. As consequências mais agudas da recessão sobre as empresas ocorreram naquele ano e, aos poucos, foram superadas no último biênio.

Indicadores bem mais favoráveis foram constatados nos pedidos de falência, que atingiram, no ano passado, o menor nível desde a entrada em vigor, em junho de 2005, da Nova Lei de Falências: 1.459 em todo o Brasil, com redução de 14,6% em relação a 2017 e de 21,2% em relação a 2016.

A percepção de melhora da condição financeira das empresas já havia sido observada no tocante às companhias de capital aberto, que tiveram maiores facilidades de tomar capital sob a forma de debêntures e de ações, em 2018.

É evidente que a situação das companhias de menor porte é mais difícil, como notam os especialistas da Serasa Experian, destacando os ônus da retomada morosa. As pequenas empresas têm dificuldade para tomar crédito a custos módicos, mal se beneficiando da queda do juro básico.

A esperança está na mudança da política do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cujo presidente, Joaquim Levy, prometeu ampliar a oferta de crédito para as empresas de pequeno porte. Mesmo que a nova taxa básica do BNDES (TLP) seja mais cara do que a TJLP, o custo para as companhias pequenas tende a ser muito inferior ao do crédito bancário livre.

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