Endividamento cresce, enquanto inadimplência cai

O crescimento do endividamento apontado pela FecomercioSP já é constatável nos indicadores de crédito do Banco Central (BC)

O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2019 | 04h00

Com a melhora da economia e a retomada da confiança, as famílias paulistanas estão-se endividando mais, segundo a FecomercioSP. Em novembro, o endividamento na capital paulista atingiu 60,5% dos lares, maior nível desde 2010 e recorde histórico. A questão é avaliar se esse endividamento já deve ser visto como excessivo ou é, pura e simplesmente, caminho natural para viabilizar o aumento do consumo e favorecer a retomada. Não há, por ora, resposta conclusiva.

O crescimento do endividamento apontado pela FecomercioSP já é constatável nos indicadores de crédito do Banco Central (BC).

Com base em dados diferentes dos da FecomercioSP, o BC registrou um nível de endividamento correspondente a 44,8% da renda dos brasileiros em outubro. Nesse mês, o saldo do crédito às famílias atingiu o recorde de 27,5% do Produto Interno Bruto (PIB), crescendo em velocidade superior à do crédito para as empresas.

Relações elevadas entre o crédito pessoal em geral e o crédito imobiliário em particular e o PIB são usuais em países desenvolvidos. A relação crédito/PIB nesses países é, com frequência, superior a 100%, liderada pelas famílias.

Um aspecto positivo é que a inadimplência está em queda. Em São Paulo, baixou de 22,8% em outubro para 21,9% em novembro. Os indicadores de inadimplência aparecem também nas pesquisas da Confederação Nacional de Diretores Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil): houve recuo de 0,27% no número de endividados entre novembro de 2018 e novembro de 2019.

A queda é acentuada entre os jovens (18 a 24 anos de idade). Mas, entre os maiores de 50 anos, há aumento e não queda na inadimplência.

Na comparação entre novembro de 2018 e novembro de 2019, o endividamento dos paulistanos aumentou 9 pontos porcentuais e há aceleração no curto prazo: entre outubro e novembro, a subida do endividamento foi de 0,7 ponto porcentual. 2,38 milhões de famílias paulistanas têm alguma dívida. Destas, 862 mil não têm condições de pagá-las.

O principal tipo de dívida das famílias paulistanas é o cartão de crédito (75,5%), cujo custo é substancial. Mesmo o juro médio do crédito livre às pessoas físicas (49,7% ao ano) é alto o bastante para desaconselhar o endividamento. Mas nem sempre é possível consumir sem se endividar.

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