Esperança e desconfiança na América Latina

O principal fator de otimismo é o início do programa de imunização contra a covid-19 na região

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2021 | 03h00

Ao contrário do que pensam uns poucos dirigentes políticos desconectados da realidade, que veem nos dados do aumento de casos de contaminação e de mortes pela covid-19 apenas uma tentativa dos meios de comunicação de disseminar o pânico, analistas econômicos sensatos estão revendo para baixo suas projeções de crescimento das economias de seus países em 2021 justamente por causa da pandemia. É isso que mostra a Sondagem Econômica da América Latina elaborada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) com base em entrevistas feitas em dez países.

O Brasil é um caso exemplar. Dos brasileiros entrevistados, 66,7%, ou exatamente dois terços, reviram para baixo as projeções que faziam no último trimestre de 2020. A projeção média para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2021 agora é de 3%.

Talvez na nova pesquisa, a ser realizada no segundo trimestre, a projeção seja novamente revista. Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o desempenho da economia brasileira em 2020 mostram uma desaceleração da atividade nos meses finais do ano passado, numa tendência que dados preliminares indicam estar se repetindo no início de 2021.

A despeito de números ainda preocupantes da atividade econômica na América Latina e da lentidão com que, na maioria dos países da região, avança a vacinação contra o novo coronavírus, houve melhora no clima econômico entre o último trimestre de 2020 e o primeiro de 2021, de 60,7 para 70,5 pontos.

Mas os próprios responsáveis pela pesquisa tratam de limitar o alcance desse movimento. “Apesar da alta de 9,8 pontos, o indicador continua na zona desfavorável do ciclo econômico, com uma combinação de avaliações desfavoráveis sobre o presente e expectativas otimistas em relação ao futuro próximo.”

O principal fator de otimismo é o início do programa de imunização contra a covid-19 também na região. No país que mais se preparou para essa etapa, o Chile, todos os consultados pela pesquisa reviram para cima suas projeções para o PIB chileno em 2021.O Brasil lidera a classificação do número de especialistas que ficaram mais pessimistas. Razões para essa mudança não faltam.

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