Esperança e temores resultam em cautela

Depois de uma recuperação rápida após a brutal queda em abril, a confiança está caindo entre empresários e consumidores

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2021 | 03h00

Entre sinais que alimentam alguma esperança com relação aos próximos meses, como o esperado início da vacinação contra a covid-19, e outros que geram temores a respeito da evolução do emprego, da renda média da população, da recuperação da economia e da pandemia, empresários e consumidores optam por cautela.

A confiança está caindo entre eles. Depois de uma recuperação rápida depois da brutal queda em abril, provocada pelo impacto inicial e mais poderoso da pandemia sobre a vida das pessoas e a atividade das empresas, os índices de confiança do produtor e do consumidor começaram a cair entre setembro e outubro e fecharam o ano em queda.

Pode ser um sinal de certo desânimo, que talvez antecipe o que deve ocorrer ao longo deste semestre. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), por exemplo, começou a cair em outubro, encerrando a recuperação que vinha sendo observada desde julho, e manteve a queda em dezembro. “A terceira queda de confiança dos consumidores decorre de piora tanto da satisfação dos consumidores com o presente como das expectativas em relação aos próximos meses”, diz Viviane Seda Bittencourt, coordenadora da pesquisa. Desemprego ainda muito alto e temor de perda de renda com o fim do pagamento do auxílio emergencial afetam as expectativas dos trabalhadores, sobretudo os que ganham menos.

Embora de modo menos intenso do que o anterior, o índice de confiança dos empresários também vem caindo nos últimos meses. Há muita incerteza no meio empresarial sobre os rumos da economia nos próximos meses. Fatores que preocupam os empresários são os mesmos que deixam os trabalhadores em alerta (evolução da pandemia, fim do pagamento do auxílio emergencial), pois todos afetam as decisões sobre consumo – e, consequentemente, o ritmo da produção e da comercialização. “Será um primeiro semestre ainda muito difícil”, prevê Aloisio Campelo Jr., superintendente de Estatísticas do Ibre/FGV.

A confiança do setor de serviços avançou ligeiramente em dezembro, depois de duas quedas mensais seguidas, mas, como observou o coordenador dessa pesquisa, Rodolpho Tobler, é preciso avaliar a recuperação com cautela, pois tudo depende da disposição do consumidor. 

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