Está em alta o endividamento das famílias

Porcentual de famílias endividadas cresceu de 59,1% em maio de 2018 para 63,4% em maio de 2019

O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2019 | 04h00

O custo financeiro do endividamento pode ser muito elevado, mas nem por isso deixou de crescer o porcentual de famílias endividadas, de 59,1% em maio de 2018 para 62,7% em abril de 2019 e 63,4% em maio de 2019, segundo a última Pesquisa Endividamento e Inadimplência do Consumidor da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Cresceu tanto o endividamento das famílias com renda de até 10 salários mínimos mensais, como o das famílias com renda superior a 10 mínimos.

O porcentual de contas em atraso passou de 23,9% em abril de 2019 para 24,1% em maio, mas ainda é ligeiramente inferior ao porcentual de 24,2% de maio de 2018.

A situação é pior para as faixas de menor renda, que mais têm sofrido com as dificuldades de emprego ou que estão em situação de desalento. Na faixa de renda de até 10 salários mínimos, 27% têm dívidas em atraso e 11% não têm condições de pagar os compromissos, conforme os dados de maio. Mas o tempo médio de atraso é inferior ao de igual período de 2018 e 27,5% das famílias se consideram pouco endividadas.

Os vilões do endividamento não mudaram, começando pelo cartão de crédito e pelo cheque especial, citados por 84% dos pesquisados. Famílias com renda de até 10 salários mínimos também se endividam, em porcentual de 17%, por carnês de lojas.

O fato mais importante evidenciado pelo levantamento da CNC é o de que não se pode falar numa piora sensível da situação das famílias entre 2018 e 2019. O melhor indicador disso é que caiu o porcentual dos que admitem que não pagarão as dívidas. Entre maio de 2018 e maio de 2019, esse porcentual cedeu de 9,9% para 9,5% – número idêntico ao registrado em abril de 2019.

A decisão de quitar dívidas também aparece nos relatórios do Banco Central, indicando menor inadimplência.

Os números da CNC confirmam a hipótese de que as famílias que dispõem de reservas financeiras preferem mobilizar parte delas para pagar contas, ainda que à custa da diminuição de sua margem de segurança financeira futura.

Parece evidente que o custo das dívidas financeiras é determinante desse comportamento. Isso se aplica, por exemplo, ao cartão de crédito e ao cheque especial, operações em que os atrasos têm custos inassimiláveis para a maioria de devedores.

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