Estrangeiros pesam mais na dívida pública

A dívida bruta, que soma as dívidas do governo federal, da Previdência e dos governos estaduais e municipais, atingiu R$ 5,48 trilhões em março

O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2019 | 04h00

Em abril, houve ligeiros sinais de melhora na dívida pública, com maior presença de investidores estrangeiros e queda do montante que vencerá nos próximos 12 meses. São fatos positivos, sem que se altere a tendência: a dívida não apenas é alta, como tende a crescer. Analistas, como Mario Mesquita, economista-chefe do Banco Itaú e ex-diretor do Banco Central (BC), estimam que só um ajuste fiscal enorme – por ele calculado em R$ 1,8 trilhão ou 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) – permitiria estabilizar a dívida.

O Tesouro acaba de divulgar os números de abril da dívida mobiliária federal, ou seja, da parcela mais importante da dívida pública. O saldo da dívida em títulos diminuiu 1% entre março e abril, de R$ 3,918 trilhões para R$ 3,878 trilhões.

Não se trata de fuga de aplicadores, mas de uma fase de vencimentos concentrados, principalmente de papéis com renda prefixada, que marcou o início do ano. Os resgates alcançaram R$ 126,7 bilhões e as emissões, R$ 56,6 bilhões. A queda do saldo só não foi maior porque foram incorporados os juros de R$ 31,2 bilhões, incluída a dívida em moeda estrangeira.

As entidades de previdência foram as que mais compraram títulos públicos, elevando sua participação em R$ 43 bilhões entre março e abril, para R$ 951,5 bilhões ou 25,56% do total. Os estrangeiros também compraram mais papéis, aumentando sua participação de 12,24% para 12,50%. Os números absolutos são pouco relevantes, mas parece claro que os estrangeiros confiam na administração da dívida e na solvência do País.

A queda do juro ajuda a baixar o custo de colocação de papéis, mas este ainda é alto, de 9,77% ao ano nos últimos 12 meses. É o reflexo da dependência de novas emissões, para financiar um déficit primário elevado, próximo de R$ 140 bilhões. A expectativa do Tesouro é de que os indicadores do Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida sejam cumpridos, embora isto não tenha ocorrido neste início de ano.

A dívida bruta, que soma as dívidas do governo federal, da Previdência e dos governos estaduais e municipais, atingiu R$ 5,48 trilhões em março (78,8% do PIB). É muito alta entre os países emergentes. Seu crescimento vem de emissões líquidas, incorporação de juros e desvalorização cambial. O que o Tesouro tem feito é administrar bem o mercado de dívida.

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