Evolução positiva nas atividades turísticas

Desvalorização do real está tendo efeito positivo sobre a disposição dos estrangeiros de visitar o Brasil; já os brasileiros enfrentam dificuldades para realizar viagens ao exterior pagas em dólares ou euros

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2019 | 04h00

Os números favoráveis exibidos pelo setor de turismo parecem indicar que a desvalorização do real está tendo efeito positivo sobre a disposição dos estrangeiros de visitar o Brasil; já os brasileiros enfrentam dificuldades para realizar viagens ao exterior pagas em dólares ou euros. O fortalecimento do turismo foi constatado em estudo inédito da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da empresa de serviços financeiros Cielo. 

Em julho, segundo a Pesquisa do Turismo Faturamento e Emprego da CNC, o turismo obteve faturamento de R$ 20,5 bilhões, distribuído entre restaurantes e similares (R$ 10,8 bilhões), transporte de passageiros (R$ 5,6 bilhões), hotéis e similares (R$ 2,3 bilhões), cultura e lazer (R$ 1 bilhão) e agentes de viagem (R$ 0,7 bilhão).

O faturamento de R$ 136,7 bilhões entre janeiro e julho de 2019 foi o mais elevado dos últimos quatro anos. Em 12 meses, até julho, o faturamento do setor atingiu R$ 237,8 bilhões, superando os R$ 235 bilhões registrados quatro anos atrás e os montantes apurados em 2017 e 2018. Foram abertas 25 mil vagas no setor entre julho de 2018 e julho de 2019, com destaque para os itens de hospedagem e alimentação. A Região Sudeste responde por mais de 60% do faturamento do setor, seguindo-se Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte. 

O Brasil tem muito a fazer no campo de turismo e poderá obter resultados expressivos se melhorar a oferta de hotéis de custo módico e de serviços de qualidade em restaurantes e bares. Os órgãos públicos ajudarão muito se propiciarem maior segurança aos hóspedes fora dos locais de hospedagem e nas principais cidades turísticas, a começar do Rio de Janeiro. Além da segurança pública, investimentos em transporte e em locais turísticos poderão atrair visitantes estrangeiros. 

O exemplo da Espanha, onde o turismo é o maior gerador de empregos do país e responde por 15% do Produto Interno Bruto (PIB), não pode ser ignorado pelo Brasil. 

O crescimento do faturamento do turismo de 1,4% nos últimos 12 meses é pouco relevante, mas, segundo os responsáveis pelo levantamento, vem superando o avanço do PIB nos últimos meses e deve se intensificar nos próximos meses em decorrência da recuperação da economia. 

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