Excesso de chuva ajuda a conter a inflação

Chuva torrencial que tantos danos causou à infraestrutura urbana e às famílias paulistanas há alguns dias também cumpriu um papel positivo, ao contribuir para o armazenamento de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas no Sudeste

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2020 | 05h00

Um conjunto de boas notícias para manter a inflação em nível baixo e sob controle despontou no noticiário dos últimos dias. Em destaque estão o recuo dos preços de alimentos, notadamente de carnes; a flutuação em geral negativa das cotações da soja nos mercados globais; e, agora, o regime favorável de chuvas que permitirá conter ou mesmo derrubar os preços da eletricidade, essencial para famílias e para empresas.

O indicador de inflação IGP-10 calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou descompressão dos preços dos alimentos vendidos no atacado e já permite prever uma deflação de itens alimentícios em fevereiro, segundo a consultoria LCA.

E, com a redução da demanda chinesa, os preços da soja tendem a se estabilizar em níveis baixos. Isso é ruim para os produtores, mas é bom para os consumidores que dependem de inflação controlada para manter seu padrão de vida.

A informação mais recente, originária do serviço noticioso Broadcast da Agência Estado, mostra que a chuva torrencial que tantos danos causou à infraestrutura urbana e às famílias paulistanas há alguns dias também cumpriu um papel positivo, ao contribuir para o armazenamento de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas localizados no Sudeste. Fenômeno semelhante foi registrado nas hidrelétricas das Regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Só a Região Sul não foi beneficiada pelo regime pluviométrico recente.

No domingo (16/2), segundo o Broadcast, o nível dos reservatórios no subsistema Sudeste/Centro-Oeste chegou a 33,3%. Isso corresponde a um aumento de 5,1 pontos porcentuais em relação aos 28,2% observados no dia 9/2. A informação original provém do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que, graças à melhora notada nos últimos dias, qualifica a situação de armazenamento do subsistema Sudeste/Centro-Oeste como tão boa que já permitiu a redução da ordem de 60% dos Preços de Liquidação das Diferenças (PLD), uma das principais medidas do valor da eletricidade no curto prazo. O subsistema Sudeste/Centro-Oeste responde por 70% da capacidade de armazenamento do País.

Aliadas à taxa básica de juros no menor nível da história, as perspectivas favoráveis para a inflação deverão contribuir muito para estimular a atividade econômica deste semestre.

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