Expansão do crédito perde velocidade

Concessões no crédito livre subiram 4,8% em março, na comparação com fevereiro

O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2019 | 04h00

As concessões no crédito livre subiram 4,8% em março, na comparação com fevereiro, o que mostra a persistência do interesse das pessoas físicas e, sobretudo, das empresas em contratar financiamentos. Mas as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central (BC), com dados relativos a março, mostram uma redução contínua no ritmo de expansão dessas concessões.

Para as pessoas físicas, a concessão de crédito livre subiu 0,7% em março, na comparação com fevereiro, variação um pouco maior do que a observada no mês anterior. Na comparação entre os resultados de um ano antes, no entanto, observa-se tendência contrária.

Na comparação entre 2019 e 2018, janeiro registrou aumento de 4,8% e fevereiro, de 12,6%, sempre em valores reais, nas concessões no crédito livre para as pessoas físicas, de acordo com cálculos da Tendências Consultoria Integrada. Em março, a expansão do volume concedido foi de 2,2% na comparação com igual mês de 2018.

Também para as pessoas jurídicas se observa redução da velocidade de expansão real das concessões de crédito livre. O aumento tinha sido de 8,3% em janeiro, na comparação com igual mês de 2018, caiu ligeiramente em fevereiro (para 8,1%) e ficou em 1,4% em março.

“Em março, houve um enfraquecimento (nas concessões de crédito com recursos livres), o que acompanha o que observamos na atividade econômica”, observou a economista Isabel Tavares, da Tendências Consultoria.

Esse comportamento está ligado à perda de confiança do consumidor e do empresário, em razão do atraso da reforma da Previdência, o que pode retardar a retomada do crescimento mais vigoroso.

De acordo com o relatório do BC, a taxa média de juros no crédito livre subiu de 38,6% ao ano em fevereiro para 39,0% ao ano em março. Já a taxa de juros para o cheque especial passou de 317,9% para 322,7% ao ano.

Desde julho do ano passado, os bancos oferecem aos clientes que entram no cheque especial o parcelamento da dívida a custo menor. Esperava-se que a migração do cheque especial para linhas menos caras acelerasse a queda dos juros para o consumidor. Mas o custo do cheque especial subiu, pois estava em 304,9% ao ano em junho de 2018.

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