Expectativas e realidade da América Latina

Especialistas estão cada vez mais otimistas com as perspectivas econômicas para os países da região

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2021 | 03h00

Alguma força tem alimentado há tempos a esperança de que o futuro será melhor para os países da América Latina. Quando se pergunta o que acham da situação atual, o resultado continua muito negativo. Houve uma grande melhora na avaliação desse quadro nos trimestres recentes, mas sobre uma base deprimida que se observa, com poucas variações, desde o final de 2016. Já quando se pergunta às mesmas pessoas quais são suas expectativas, o resultado é surpreendente. Para a grande maioria, tudo vai melhorar.

É esse o quadro, um tanto contraditório, mas persistente, que apresenta o Indicador de Clima Econômico (ICE) da América Latina elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Na última edição, o ICE registrou alta pelo quinto trimestre consecutivo.

No terceiro trimestre, o ICE alcançou 99,7 pontos, praticamente alcançando o ponto de neutralidade (100 pontos), no melhor resultado desde 2018. Esse número significa que os 149 especialistas de 15 países latino-americanos consultados pela pesquisa estão cada vez mais otimistas com as perspectivas econômicas da região.

O ICE resulta de uma média geométrica entre o Índice de Situação Atual (ISA) e o Índice de Expectativas (IE). Nos últimos anos, a trajetória desses dois componentes tem sido muito desigual, e às vezes divergente. Pode-se até falar em certo paralelismo entre eles em determinados períodos, mas um (o ISA) tem ficado muito abaixo do outro (o IE).

Entre o segundo e o terceiro trimestres deste ano, o ISA mais do que dobrou, o que pode ser considerado um ótimo desempenho para um índice que tem demorado para reagir. Mas, mesmo tendo alcançado 59,1 pontos, com aumento de 30,9 pontos sobre o resultado anterior, o ISA continua muito abaixo dos 100 pontos que marcam a neutralidade.

Já o IE, embora tenha mostrado volatilidade desde o fim de 2016, tem se mantido acima dos 100 pontos há anos, com exceção do resultado do segundo trimestre do ano passado, por causa dos efeitos da pandemia. É o IE que tem evitado resultados piores do índice composto, o ICE.

“Parece que na última década a região tem alimentado uma esperança de melhora que não se concretiza na medida de suas expectativas”, resume a economista do Ibre/FGV Lia Valls.

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