Exportação fraca afeta produção de veículos

As dificuldades do mercado exterior, principalmente do mercado argentino, ajudam a explicar por que a produção de veículos no Brasil cresce lentamente

O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2019 | 04h00

O declínio das exportações de veículos foi intenso em 2018 e se agravou em 2019. Em outubro, as vendas de veículos para o exterior foram de apenas 30 mil unidades, pior resultado desde janeiro de 2019 e inferior à metade das 61,8 mil unidades de outubro de 2017.

Entre setembro e outubro, as exportações caíram 18,2%. As dificuldades do mercado exterior, principalmente do mercado argentino, ajudam a explicar por que a produção de veículos no Brasil cresce lentamente, apesar de o mercado interno continuar forte.

Em 2017 foram exportados 766,1 mil veículos, número que correspondeu a cerca de 28% da produção total de autoveículos montados no Brasil naquele ano. Em 2019, até outubro, as exportações de 367,5 mil unidades corresponderam a pouco mais de 14% da produção total. Em termos anuais, as montadoras deixaram de produzir, comparativamente a 2019, nada menos do que 330 mil unidades (11% da produção total em 12 meses).

A produção dos primeiros 10 meses de 2019 cresceu apenas 3,6% em relação à de 2018, para 2,55 milhões de veículos. Na mesma comparação, os licenciamentos avançaram 8,7%, para 2,28 milhões de veículos.

Com seu elevado peso na produção de manufaturados, o setor tem contribuído para evitar uma queda mais acentuada da indústria brasileira.

Além disso, as perspectivas para o segmento de veículos continuam a ser favoráveis devido à queda dos juros que permite reduzir o valor das prestações dos carros financiados, notando-se que cresce o volume de financiamentos. Em 12 meses, até outubro, cresceu 18,2%, para R$ 192,5 bilhões, o saldo das operações de crédito destinadas à aquisição de veículos por pessoas físicas, enquanto as concessões de crédito, que significam dinheiro novo no setor, aumentaram 18,9%. São números superiores aos da média de crescimento do crédito total.

Há uma forte competição entre veículos montados no Brasil e no exterior. Daí os programas abrangentes de redução de custos, que incluem o corte de mão de obra. Este corte é mais intenso no segmento de veículos do que no de máquinas agrícolas e rodoviárias.

No caso dos caminhões, a produção e as vendas cresceram, respectivamente, 12,1% e 37,9% entre os primeiros 10 meses de 2018 e 2019, lideradas por veículos pesados usados no transporte das safras

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