Falta, agora, o investimento das empresas

Capacidade ociosa e incertezas econômicas e políticas ajudam a explicar o ritmo insatisfatório dos investimentos; mas, sem estes, uma retomada pujante da economia demorará mais para ocorrer

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2019 | 04h00

As grandes empresas brasileiras tiveram forte recuperação no biênio 2017/2018, com ganho de lucros e margens. A recuperação ficou demonstrada nas pesquisas do Cemec Fipe, centro de estudos sobre as companhias não financeiras coordenado pelo professor Carlos Antonio Rocca, ex-secretário da Fazenda do Estado de São Paulo.

Mas a melhora das empresas notada pelo Cemec no biênio passado não se traduziu, em 2019, na volta dos investimentos. E, sem estes, uma retomada pujante da economia demorará mais para ocorrer.

Capacidade ociosa e incertezas econômicas e políticas ajudam a explicar o ritmo insatisfatório dos investimentos. “É como se o avião estivesse pronto para decolar, mas permanece no chão, à espera de confiança”, resume Rocca.

A questão do investimento é central. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, ou taxa de investimento) é baixa no Brasil, de pouco mais de 15% do Produto Interno Bruto (PIB). A “modesta recuperação da taxa de investimento” ocorrida entre 2016 e 2018 não teve continuidade “no segundo trimestre de 2019”, segundo a Nota Cemec Fipe de número 8, divulgada há alguns dias. “Comportamento semelhante é identificado nas estimativas de investimentos das empresas da amostra Cemec Fipe”, diz Rocca.

O que preocupa é o fato de que não é a falta de capital ou de retorno dos investimentos o que mais atrapalha as decisões de investir. Segundo o Cemec Fipe, estima-se que os resultados dos investimentos são “superiores aos custos de capital”, graças à redução das taxas de juros.

Mas falta confiança no crescimento do PIB dos três anos seguintes aos do investimento realizado, um dos critérios do estudo. As empresas têm incertezas sobre “a continuidade das reformas, a definição de prioridades e a aceleração do programa de concessões de infraestrutura”. Tais aspectos, segundo o Cemec, têm “importância estratégica para a retomada dos investimentos privados e para a ancoragem das expectativas de aceleração do crescimento”.

Afinal, não basta a reforma da Previdência para que as empresas tenham a certeza de que as contas públicas tendem ao equilíbrio. Como um alto grau de incertezas faz parte também do ambiente global, cabe ao governo agir com competência e racionalidade, contribuindo para que se firmem os sinais recentes de retomada.

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