Famílias fazem mais seguros na pandemia

Também há sinais de crescimento dos valores investidos em entidades de previdência privada, em alta de 21% entre agosto de 2019 e agosto de 2020

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2020 | 03h56

Assim como as empresas, as famílias tornaram-se mais previdentes diante dos riscos impostos pela pandemia. Entre janeiro e setembro de 2020, comparativamente a igual período do ano passado, houve aumento de 11,7% nas receitas de seguros, que atingiram R$ 14,6 bilhões, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), como mostrou reportagem publicada pelo Estado de 16 de novembro. Também há sinais de crescimento dos valores investidos em entidades de previdência privada, em alta de 21% entre agosto de 2019 e agosto de 2020, segundo a Federação Nacional das Empresas de Previdência Aberta (FenaPrevi).

A disposição de ampliar as margens de segurança não é tendência isolada. A primeira mudança veio sob a forma de ampliação dos ativos líquidos. Enquanto as empresas fortaleciam o caixa, as pessoas físicas aumentavam os recursos mantidos em cadernetas de poupança e outros depósitos, privilegiando a proteção e a garantia das aplicações em face do risco de desemprego e das dúvidas quanto à intensidade e a duração da pandemia de covid-19.

O segundo movimento aparece na contratação de seguros. Neste caso, é provável que o maior número de contratantes se encontre entre as faixas etárias baixas e médias, o que se explica porque os efeitos da pandemia não se limitam às pessoas mais velhas. Acima de determinadas idades, é difícil contratar seguro.

O hábito de fazer seguro é mais arraigado nos países desenvolvidos, onde a renda média é mais elevada, deixando recursos disponíveis para cuidar do futuro. “A crise deixou claro para as pessoas a importância de se ter um seguro e pensar na longevidade”, afirma um diretor da Susep, Vinicius Brandi.

Se a pandemia levar os brasileiros a tratar do futuro com mais atenção, estará deixando o legado de estimular uma boa prática, que, no médio e no longo prazos, poderá desonerar as famílias e o Estado, ao reduzir as demandas potenciais de assistência. “Infelizmente aprendemos com a dor, mas agora os brasileiros estão mais dispostos a falar sobre seguro e previdência privada”, explica o presidente da FenaPrevi, Jorge Pohlmann Nasser.

A intensidade da crise econômica, porém, é um empecilho à mudança mais acentuada de tendências nas áreas de seguros e previdência, por mais importantes que estas sejam numa perspectiva de longo prazo.

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