Famílias poupam menos do que seria preciso

A dificuldade de poupar se deve, segundo os economistas, ao desemprego elevado e ao comprometimento do poder de compra

Editorial Econômico, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2019 | 05h00

A maioria das famílias não tem recursos suficientes que possam ser reservados para o futuro. E, entre as que conseguem separar uma parte dos rendimentos, cerca de dois terços dão preferência aos depósitos de poupança, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). A escolha das cadernetas como instrumento de poupança se deve a posturas conservadoras: facilidade para sacar recursos, preferência pelas modalidades de aplicação mais tradicionais e medo de perder o valor aplicado.

A dificuldade de poupar se deve, segundo os economistas da CNDL, ao desemprego elevado e ao comprometimento do poder de compra. No levantamento feito com 800 pessoas em 12 capitais brasileiras, 40% dos entrevistados declararam ter renda baixa, que impede a existência de sobras no final do mês; 18% foram surpreendidos por algum imprevisto; 15% tiveram gastos com reformas, tratamentos médicos e compras; e 13% perderam o controle dos gastos.

Esse descontrole é um fato relevante, ao revelar que grande parte da população padece da falta de educação financeira básica. Sem reservar algum recurso para o futuro, aumentam os riscos de inadimplência e da necessidade de tomar recursos caríssimos, mas de acesso fácil, como o cheque especial ou o rotativo do cartão de crédito. Ou seja, o risco de insolvência pode ser agravado pela imprevidência.

A incapacidade para fazer poupança é mais grave nas famílias incluídas nas classes C, D e E, nas quais 71% não poupam. Mas a falta do hábito de poupar também aparece nas faixas de renda mais elevada (A e B), nas quais o porcentual de não poupadores atinge 54%. É um porcentual alto.

Com a queda do juro básico para 5,5% ao ano, há um desestímulo a poupar, o que deve ser avaliado pelas famílias. O educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, julga preocupante o fato de que poucas famílias façam reservas para se aposentar. Ante o déficit da Previdência Social, da ordem de R$ 200 bilhões por ano, cabe entender que a aposentadoria tende a ser adiada em relação à situação atual.

A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, acredita que a carteira de investimentos dos brasileiros é “bastante conservadora”. Melhor, recomenda, é diversificar, mesmo à custa de algum risco.

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