Giro da dívida mobiliária se torna mais fácil

Perspectiva de queda do juro básico também é fator de estímulo às aplicações

Editorial econômico, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2019 | 06h29

Cresceu, em junho, a demanda por títulos federais, o que se explica pela expectativa de aprovação da reforma da Previdência e consequente melhora, no longo prazo, das contas públicas. A procura dos títulos por investidores locais e globais foi determinante para o crescimento da dívida pública federal de 2,24% entre maio e junho, de R$ 3,89 trilhões para R$ 3,98 trilhões.

Além do ganho estrutural propiciado pela reforma da Previdência, a perspectiva de queda do juro básico também é fator de estímulo às aplicações. Estas se concentraram, em junho, em papéis prefixados, que terão benefício tanto maior quanto mais intensa for a diminuição do juro básico. Segundo o último boletim Focus do Banco Central (BC), a taxa Selic média prevista pelas consultorias econômicas consultadas pelo BC deverá cair para 5,5% ao ano tanto no final de 2019 como de 2020.

A expectativa de queda dos juros também ajudou a reduzir o custo de rolagem da dívida. Ajudado pela desvalorização do dólar, o custo caiu de 9,44% ao ano em maio para 8,83% em junho. A taxa interna de retorno das ofertas de títulos no mercado doméstico também caiu ligeiramente no período.

Entre os detentores da dívida em títulos, o grupo que mais cresceu em junho foi o das instituições financeiras, com aumento das posições em R$ 64,9 bilhões, e o dos fundos de investimento, cujo estoque avançou R$ 34,6 bilhões. Em igual período, os não residentes reduziram levemente suas posições (em cerca de R$ 4 bilhões), mas o mais provável é que isso se explique por questões sazonais.

As emissões líquidas do Programa Tesouro Direto voltaram a crescer, atingindo R$ 997 milhões em junho e elevando o estoque total a R$ 56,9 bilhões, aumento de 2,51% em relação a maio. O total de investidores cadastrados superou os 4,35 milhões, dos quais 157,9 mil ingressaram em junho.

Ainda que a dívida pública total seja muito elevada e crescente como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), a redução do custo da dívida mobiliária tem um papel importante do ponto de vista das expectativas. Os investidores se mostram confiantes na solvência do Tesouro Nacional. A isso se acresce o fato de que houve nova redução do porcentual de vencimentos da dívida para os próximos 12 meses, de 13,99% em maio para 13,92% em junho.

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