Grau de incerteza cai, mas ainda é muito elevado

Um nível alto de incertezas retarda decisões de consumo das famílias e de investimento das empresas

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2020 | 03h00

A média diária superior a mil de vítimas fatais da pandemia de covid-19 já bastaria para manter em nível extremamente alto o grau de incertezas predominante no País. Mas há não só a crise sanitária propriamente dita, que afasta milhões de pessoas do mercado de trabalho, como os demais impactos econômicos da pandemia, registrados pelo Indicador de Incerteza da Economia (IIE-BR) elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre), cuja prévia de julho mostrou queda muito lenta, de apenas 7,3 pontos em relação a junho, para 166,3 pontos.

“Após a terceira queda consecutiva, o nível do IIE-BR de julho se aproxima do nível de março, de 167,1 pontos, primeiro momento em que o País precisou forçar paralisações e iniciar o isolamento social para conter o avanço da pandemia”, observa a economista Anna Carolina Gouveia, da FGV-Ibre. Em resumo, o maior problema é a dificuldade para prever cenários futuros, pois as expectativas positivas são limitadas. Como afirma a economista, a “queda mais acelerada da incerteza daqui para a frente dependerá da evolução da pandemia no País e da velocidade de normalização das atividades econômicas e do apaziguamento das tensões políticas”. Ou seja, até a dificuldade de escolher um ministro da Saúde pode contribuir para incertezas, dada a ausência de coordenação federal para o combate à pandemia.O IIE-

BR tem dois componentes – mídia e expectativas –, que apontam tendências diferentes. O componente mídia é mais benigno e está em 145,5 pontos. Isso quer dizer que o noticiário tem dado espaço aos sinais de superação das adversidades, que estão presentes não apenas na economia internacional, mas em setores da economia local.

Já o componente expectativas ainda registra 222,4 pontos, desgarrado do termo médio de 100 pontos que separam os campos negativo e positivo. A incerteza continua “extremamente elevada mesmo com os sinais de abertura” da economia, nota Anna Carolina.

Um nível alto de incertezas retarda decisões de consumo das famílias e de investimento das empresas. Em vez do desleixo em reconhecer os riscos da pandemia, o governo federal poderia ajudar, se tivesse empenho – e capacidade – para coordenar não só a política sanitária, como as expectativas da sociedade.

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