Imóveis usados puxam crédito imobiliário

Categoria representou quase 70% das aquisições imobiliárias nos primeiros seis meses de 2020

Notas & informações, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2020 | 03h00

A melhora do mercado paulistano de imóveis constatada pelo SecoviSP, que apurou um expressivo aumento de vendas entre maio e junho de 2020, encontra confirmação nos indicadores do crédito imobiliário: em junho, o montante financiado com recursos das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) atingiu R$ 9,27 bilhões, com crescimento de quase 30% em relação a maio e de mais de 50% comparativamente a junho de 2019. Outros dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) mostram que, entre os primeiros semestres de 2019 e de 2020, o aumento das operações foi de 28,6%, para R$ 43,4 bilhões e, em 12 meses, de 34,2%, atingindo R$ 88,3 bilhões. São sinais de que o mercado imobiliário tem um dinamismo superior ao da maioria dos setores econômicos.

Ainda mais importante, o crescimento decorreu das operações de financiamento de imóveis usados, que representaram quase 70% das aquisições nos primeiros seis meses de 2020. É o que antecipa as fases de retomada mais firme dos lançamentos, pois a maioria das famílias depende da venda do imóvel usado para adquirir o imóvel novo.

Foram financiadas, em junho, operações de aquisição ou construção de 33,1 mil imóveis, resultado 33,5% superior ao de maio. No primeiro semestre, o número de unidades financiadas foi de 161 mil, 24% mais do que em igual período de 2019. Nos últimos 12 meses, houve quase 330 mil unidades financiadas, alta de 27% em relação aos 12 meses anteriores.

Dois fatos dão segurança à demanda de crédito imobiliário: a queda de juros, que permitiu a redução das prestações, e o recorde de depósitos de poupança, indicando que há fartura de recursos destinados à moradia própria para emprestar.

Numa previsão bastante conservadora, a presidente da Abecip, Cristiane Portella, estimou que entre 2019 e 2020 haverá um crescimento de 12% na oferta de crédito imobiliário com recursos das cadernetas, ritmo de alta inferior ao do primeiro semestre. É provável que esse porcentual seja corrigido, para mais, nos próximos meses, mesmo atentando-se para o fato de que os segundos semestres são mais fortes para o financiamento imobiliário – ou seja, a comparação com 2019 se dará sobre níveis de crédito mais altos.

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