Incerteza atual é quase tão grande quanto na era Lula

Análise da FGV enfatiza as dúvidas quanto ao avanço da pandemia no Brasil e às medidas de isolamento

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2020 | 03h00

A pressão sobre a economia que vem dos dados diários sobre a crise do novo coronavírus no País e o espaço limitado para a recuperação elevam as incertezas dos empresários brasileiros quanto ao futuro. É o que mostra o Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Trata-se de índice preliminar, elaborado com dados até 9 de junho, marcando a política da FGV de avaliar o ânimo das empresas em períodos mais curtos do que os verificados antes da pandemia.

O IIE-Br atingiu o ponto máximo de 210,5 pontos em abril de 2020, declinou um pouco em maio e ficou quase estável no levantamento de junho. “Após recuar mais de 20 pontos em maio, a tímida queda de junho sugere uma estabilização dos níveis de incerteza em patamar próximo aos 190 pontos, cerca de 50 pontos acima do recorde anterior à crise atual, que era de 136,8 pontos, em setembro de 2015”, afirmou a economista Anna Carolina Gouveia, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV.

A análise distribuída pela FGV enfatiza as dúvidas quanto ao avanço da pandemia no Brasil e às medidas de isolamento social. Acrescenta, ainda, fatores econômicos, como “a dificuldade de acesso ao crédito pelas empresas, e políticos”. Os fatores políticos não foram explicitados, mas se pode supor que se relacionam aos efeitos nocivos das atitudes irresponsáveis do Executivo diante da crise política, sanitária e econômica – e do repúdio público a elas pela sociedade e pelos outros Poderes.

Predomina, assim, “a enorme dificuldade de se fazer previsões econômicas em 2020”, nota Anna Gouveia. E o resultado é a criação de graves obstáculos às decisões empresariais, em especial no tocante a investimentos.

O indicador de expectativas da FGV tem dois componentes. Um é o IIE-Br Mídia, baseado na frequência de notícias com menção à incerteza nas mídias impressa e online. Outro é o IIE-Br Expectativa, construído a partir das previsões contidas na pesquisa semanal Focus do Banco Central sobre câmbio, juro básico, PIB e inflação. Para um termo médio de 100 pontos que separam os campos positivo e negativo, o IIE-Br Expectativa atingiu 236,5 pontos em 9 de junho e só foi inferior ao de outubro de 2002 – na época da primeira eleição de Lula para a Presidência da República –, quando alcançou 257,5 pontos.

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