Incertezas não afetam projeções da indústria

Apesar da queda da atividade industrial entre o fim de 2020 e janeiro de 2021, índices de expectativas do setor permanecem em nível alto

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2021 | 03h00

Embora a atividade industrial tenha registrado queda mais forte entre o fim de 2020 e janeiro de 2021 do que nos três anos anteriores – e o cenário para os próximos meses continue turvado por incertezas –, os índices de expectativas do empresário da indústria permanecem em nível alto.

“Os empresários continuam esperando crescimento da demanda por seus produtos e da quantidade exportada, e pretendem aumentar a compra de matérias-primas e o número de empregados”, constatou a Sondagem Industrial realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A queda forte, explica a entidade nacional representativa da indústria, ocorreu a partir de um ponto alto: a atividade mais intensa no segundo semestre do ano passado, depois do tombo entre março e maio provocado pela pandemia. Assim, mesmo menos intensa do que nos meses imediatamente anteriores, a produção se mantém em nível elevado.

É essa atividade aquecida que explica a evolução do número de empregados. O índice ficou em 51,3 pontos, numa escala de 100, cujo ponto de separação entre aumento e contração é de 50 pontos. É a primeira vez que se registra aumento de emprego em janeiro desde o início da série da CNI, em 2011. A atividade forte depois da pandemia “continua a render frutos no mercado de trabalho”.

É o sétimo mês consecutivo que esse índice fica acima de 50 pontos. É expressivo também o fato de que ele subiu entre dezembro e janeiro, “o que denota um aumento do emprego mais intenso e disseminado pela indústria”, diz a CNI.

Outros indicadores específicos da atividade industrial igualmente contribuem para instilar ânimo e fortalecer as expectativas do empresariado. Embora 1 ponto porcentual abaixo do índice registrado em dezembro, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) em janeiro, de 69%, é a mais alta para o mês desde 2014, quando alcançou 70%. Na comparação com janeiro de 2020, antes do início da pandemia, o aumento é de 2 pontos.

Já os estoques registraram em janeiro queda menos intensa e menos disseminada do que nos meses anteriores. Reduziu-se, assim, a distância entre o estoque observado e o desejado, que já vinha diminuindo há algum tempo. Esse movimento pode ser explicado pela escolha dos empresários de trabalhar com estoques mais baixos do que no passado. 

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