Indícios de recuo do nível de inadimplência

O número de pessoas com alguma dívida em atraso é de 62,08 milhões, o equivalente a 40% da população com mais de 18 anos

O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2019 | 04h00

Novos dados sobre o endividamento e a inadimplência do consumidor, divulgados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), mostram que o número de pessoas negativadas (ou seja, que têm alguma dívida em atraso registrada) é de 62,08 milhões, o equivalente a 40% da população com mais de 18 anos. Trata-se de um número muito elevado, mas que é atenuado pelo fato de que o número médio de dívidas vem caindo. Já se observa “uma tendência de acomodação da inadimplência, que pode ser um prenúncio de melhora na capacidade de pagamento das famílias”, afirmou o presidente da CNDL, José Cesar da Costa.

Dívidas com bancos e, ainda mais, com concessionárias de água e energia elétrica ainda crescem, segundo o Indicador de Inadimplência. Trata-se, ao que tudo indica, dos efeitos negativos resultantes de juros elevados e de tarifas crescentes cobradas na prestação de serviços públicos. Os preços administrados subiram em média 6,5% em 2018, bem acima da inflação oficial, e deverão subir 4,8% neste ano, segundo o último relatório Focus, preparado pelo Banco Central com base nas expectativas dos agentes econômicos.

O número de negativados atinge 26,5 milhões no Sudeste (40% da população adulta) e 16,7 milhões no Nordeste (41%). No Sul, o porcentual de inadimplentes é menor (36%) e no Norte, maior (46%).

A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, observa que os consumidores começam a se livrar de dívidas atrasadas, mas o problema não está eliminado. “Não é baixo o número de consumidores que, depois de sair do cadastro de negativados, acabam retornando”. O que se explica, diz ela, pelo “mau uso do crédito e falta de controle das próprias finanças”. Em resumo, falta educação financeira.

A expectativa de melhora acentuada – e mais rápida – da atividade econômica pode ter contribuído para que muitas pessoas contraíssem dívidas acima da capacidade de pagamento. Isso ocorreu principalmente na faixa etária dos 30 aos 39 anos. Nessa faixa, 51% das pessoas tinham o nome inscrito em alguma lista de devedores.

A redução da inadimplência é importante para a melhora das condições financeiras das famílias, necessária para sustentar um novo ciclo de consumo.

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