Indícios firmes de retomada do crédito

A relação entre o crédito e o Produto Interno Bruto passou de 46,8% em novembro para 47,4% em dezembro

O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2019 | 04h00

Cresceram, em 2018, tanto o estoque como as concessões de crédito, indicando que famílias e empresas começam a aumentar o consumo e os investimentos. Se os juros cobrados pelas instituições – os chamados juros ativos – caírem mais rápida e acentuadamente neste ano, o crédito poderá retomar seu papel decisivo para a recuperação econômica.

O estoque de crédito atingiu R$ 3,3 trilhões em dezembro, aumento de 1,8% no mês e de 5,5% no ano. A relação entre o crédito e o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 46,8% em novembro para 47,4% em dezembro.

As concessões de crédito – que significam dinheiro novo, recontratação ou renegociação de dívidas de empresas e famílias – avançaram 9,1% entre novembro e dezembro, em decorrência de efeitos sazonais, e 11,7% entre 2017 e 2018.

Dois aspectos se destacam nas Estatísticas monetárias e de crédito publicadas pelo Banco Central: cresceu mais o peso das operações de crédito livre, em detrimento do crédito direcionado, ao mesmo tempo que os bancos privados locais e estrangeiros recuperavam participação nas operações de empréstimos, aumentando de 46% para 49% entre 2017 e 2018 seu peso no crédito total.

Em dezembro de 2018, as pessoas jurídicas tomaram mais crédito do que as pessoas físicas, dadas as necessidades de capital de giro para financiar as vendas de fim de ano. O crescimento só não foi maior porque continuaram travados os empréstimos do BNDES, em fase de reestruturação de políticas de crédito e devolução de recursos ao Tesouro.

Após uma fase de crescimento lento, o crédito imobiliário volta a crescer, favorecendo a construção civil, setor com grande poder multiplicador, beneficiando o emprego, a renda e a demanda de insumos.

As tendências mais positivas do crédito já verificadas no governo Temer, como o aumento das operações livres, a menor participação dos bancos governamentais e o recuo dos juros, deverão persistir no governo Bolsonaro.

Resta saber se a maior oferta de crédito livre significará, de fato, maior concorrência e menores custos para tomadores, como se previa. Essa é questão crucial cujo enfrentamento deveria ser facilitado pelo recuo da inadimplência, que os bancos tratam como elemento-chave do custo do crédito.

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