Indústria de alta tecnologia sofre mais na pandemia

Crise só não foi mais intensa porque as medidas estimularam a demanda de alguns bens industriais típicos do setor

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2021 | 03h00

A crise provocada pela pandemia de covid-19 atingiu duramente a indústria brasileira, que há anos enfrenta dificuldades para retomar o vigor que demonstrou até o início deste século. Mas afetou ainda mais um segmento vital para o Brasil se manter competitivo no mercado mundial de produtos industrializados, mas que já dava sinais de fragilidade antes do início da crise sanitária. Trata-se do segmento de alta tecnologia, que, no comércio internacional, é o que vem mostrando mais dinamismo entre todos os ramos industriais.

Como mostrou reportagem do Estadão, o segmento de alta tecnologia recuou 3,4% em 2020, depois da queda de 3,3% em 2019. A crise no ano da pandemia só não foi mais intensa porque as medidas de enfrentamento do problema estimularam a demanda de alguns bens industriais típicos do setor de alta tecnologia, como medicamentos e produtos eletroeletrônicos.

Os primeiros tiveram aumento de produção pela óbvia demanda impulsionada na crise sanitária. Os segundos foram mais consumidos porque parte da população passou a viver mais tempo em casa, o que a levou a consumir eletroeletrônicos domésticos e produtos de informática, como observou o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin, responsável pelo estudo no qual a reportagem se baseou.

Toda a indústria teve de enfrentar o desafio de operar e sobreviver em tempos de isolamento social, que levou à paralisia temporária das máquinas; à escassez de matérias-primas, insumos e componentes; e à redução da demanda. Mas, para a indústria de alta tecnologia, que responde por 5,2% da produção da indústria de transformação do País, os problemas podem ter sido ainda mais difíceis.

Esse segmento é, em média, o que mais investe em pesquisa e desenvolvimento, e por isso tende a liderar a modernização e o avanço de todo o setor de transformação. É também o que gera empregos com maiores exigências de qualificação e oferece melhores condições de trabalho e de remuneração. E é o que vem apresentando os melhores resultados no comércio mundial.

Não sem razão, o economista do Iedi está preocupado com o cenário atual: está em jogo a capacidade do Brasil de acompanhar o avanço da fronteira tecnológica, que se acelera no resto do mundo.

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